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domingo, junho 27, 2010

O Ghana carrega as esperanças do Continente Africano

Mark Gleeson
27 June 2010
Kevin Prince Boateng marca o primeiro golo do Ghana ©Sydney Mahlangu/Backpagepix

Rustenburg – O Ghana tornou-se na terceira equipa Africana na história do Campeonato do Mundo a chegar aos quartos de final com uma vitória dramática de 2-1, no tempo complementar, contra os Estados Unidos no Royal Bafokeng Sports Palace em Rustenburg, no Sábado.
Um pontapé estonteante de Asamoah Gyan arrumou a partida a favor dos Black Stars, mitigando a enorme pressão e dando um impulso enorme ao continente.
O Ghana carregava as esperanças africanas após um desempenho sombrio no torneio na África do Sul pelos outros cinco representantes do continente.
Mas o treinador Milovan Rajevac disse que deixaram todas as pressões para trás quando entraram em campo contra os americanos que entraram confiantes.
O golo de Kevin-Prince, aos cinco minutos, colocou o Ghana em vantagem muito cedo, mas os americanos deram luta, depois de uma primeira parte a meio gás, empatando ao passar dos 60 minutos com a transformação da grande penalidade por Donovan.
Boateng roubou a bola a Ricardo Clark no meio campo e correu disparando para a baliza de fora da área num início perfeito para os Black Stars.
Poderiam ter marcado um segundo golo aos 37 minutos, mas uma defesa do guarda redes Tim Howard negou o golo a Kwadwo Asamoah.
Do outro lado, defesas extraordinárias do guarda redes Richard Kingson mantiveram a vantagem do Ghana intacta contra os americanos que foram lentos na primeira parte enquanto o Ghana dominava o jogo.
Mas eles tiveram as suas oportunidades. Kingson defendeu um remate de Robbie Findley com as pernas a 10 minutos do intervalo e fez uma defesa com uma mão negando o golo ao substituto Benny Feilhaber no início do segundo tempo.
Mas as coisas pareciam estar a virar-se ao contrário para as esperanças do Ghana quando o jovem defesa Jonathan Mensah, aos 62 minutos, proporcionou uma grande penalidade ao derrubar Clint Dempsey.
Donavan disparou para dentro da baliza dando aos americanos um empate justo; de repente encontraram as reservas de energia para encenarem uma das suas habituais corridas no segundo tempo.
O vencedor apareceu do céu num remate longo quando Gyan com um pontapé esquerdino deslumbrante assegurou o encontro com o Uruguai na próxima sexta-feira na Soccer City de Joanesburgo.

sábado, junho 26, 2010

Chimwemwe volta à Escola

Chimwemwe entrou no meu escritório com as lágrimas nos olhos. “Anandipisha ku sukulu”, disse entre soluços. Ao olhá-la nos olhos veio-me à mente o sofrimento de tantas outras crianças órfãs de Lilanda que são constantemente expulsas da escola por não pagarem as propinas. O seu futuro, esse está definitivamente comprometido.
Em Lilanda, como em tantos outros bairros pobres da periferia de Lusaka, há milhares de crianças órfãs que vivem com os avós ou outros familiares. É frequente encontrar uma velhinha com seis ou sete netos órfãos! Como se pode imaginar, encontrar comida e medicamentos quando adoecem, é só por si um pesadelo para estas famílias. O acesso ao ensino torna-se quase impossível para muitas destas crianças. O resultado é que muitas destas crianças não têm a possibilidade de ir à escola e, por isso passam o seu tempo nas ruas sem nada para fazer.
Estou a lembrar-me da senhora Serafina que vive com o seu marido, ambos de idade avançada e que têm ao seu cuidado seis netos, todos eles órfãos. Vivem das ajudas dos vizinhos e dos cristãos da Comunidade Eclesial de Base à qual pertencem. Quando a visitei, há já alguns dias, encontrei-a à porta da sua casita, à sombra de uma mangueira fugindo ao calor escaldante que se fazia sentir. As crianças, brincando, pareciam não ter notado a minha chegada. Foi então que a avó as chamou: “Abambo abwera; apatseni moni!” (Chegou o senhor padre, venham cumprimentá-lo). Foi então que desabafou, tal como Chimwemwe, com as lágrimas nos olhos: “anthu amatithandiza kwambiri pakutipatsa unga, koma sukulu, abambo… sukulu imativuta!” (As pessoas vão-nos ajudando com farinha, mas a escola, padre… a escola é que é o problema!). Como esta família há muitas outras no bairro.
Na nossa Escola Comunitária de S. José, ajudamos cerca de 350 crianças, a maior parte das quais são órfãs e extremamente pobres. Mas a nossa escola é só uma pequena ajuda no mar de necessidades de tantas crianças que não têm a possibilidade de ir à escola. Dois dos meninos da senhora Serafina vão à nossa escola; os mais crescidos têm mais dificuldade, pois a nossa escola é só até ao sétimo ano.
Em Lilanda há muitas outras escolas comunitárias que procuram preencher a lacuna deixada pelo governo que é incapaz de responder às necessidades das populações, sobretudo no que diz respeito à saúde e ao ensino. O resultado é a descriminação que deixa de fora os mais vulneráveis.
O que sempre me impressiona é a enorme vontade que estas crianças têm de ir à escola. Algo que eu nunca vi em Portugal. Procuram todos os meios para o conseguirem e vêm com frequência bater às portas da paróquia. Claro que é impossível ajudar a todos, mas alguns sempre encontram uma resposta, graças à ajuda preciosa de tantos amigos de boa vontade que são generosos na sua partilha com os mais desfavorecidos.
Chimwemwe conseguiu voltar à escola! Os dois meninos da senhora Serafina, também vão à escola. Tantas outras vivem nesta situação de constante incerteza em relação ao seu futuro por não terem ninguém que as ajude! As que o conseguem vêem o seu futuro com um pouco mais de esperança.

Nota: Esta é a história de muitas crianças e famílias de Lilanda. Por isso, “Chimewmwe” e “Serafina” são nomes fictícios.

quarta-feira, junho 23, 2010

Nova Constituição para a Zâmbia

A Comissão Constitucional Nacional (NCC na sua sigla inglesa) divulgou hoje, 22 de Junho, o esboço da tão esperada nova Constituição para que seja sujeito a debate público, noticiou o The Post online. Na apresentação do documento, o presidente da Comissão, Chifumu Banda, fez o convite aos cidadãos para lerem o documento, defendendo que só um debate público sério sobre o mesmo pode melhorar a governação do país. Os cidadãos têm agora 40 dias para comentar o documento.
“A governação desta nação não melhorará por causa das querelas que existem entre nós; melhorará se as nossas instituições forem relevantes e efectivas; e isto só pode ser feito através da Constituição… e pelas leis que dela derivam”, disse Banda.
Ainda segundo o The Post, o documento estará disponível nos três sítios do Secretariado da Governação, uma instituição que faz parte do Ministério da Justiça (http://www.governance.gov.zm/; http://www.parliament.gov.zm/; http://www.ncczambia.org/).
Um particular importante é que, embora o documento não seja traduzido nas línguas locais por falta de fundos, foi já traduzido em Braille.
Alguns artigos que tinham sido propostos para a nova Constituição não fora incluídos, nomeadamente “a rejeição da eleição de um Vice-presidente, a introdução de uma licenciatura como uma das qualificações para candidatos presidenciais, e a recusa da necessidade do sistema de voto 50% mais 1 para a eleição do Presidente”, acrescentou Banda.

terça-feira, junho 22, 2010

Sul do Sudão tem Novo Governo

Drª Anne Itto, Ministra designada para as Cooperativas e Desenvolvimento Rural © JVieira

O Presidente do Sul do Sudão, Salva Kiir Mayardit, anunciou ontem o seu novo governo.
O novo elenco governamental conta com 32 ministros, mais oito que o anterior, e inclui sete mulheres e quatro membros da oposição e uma ministra sem pasta.
Os novos ministérios são Paz e Implementação do Acordo Global de Paz; Investimento; Assuntos Humanitários e Gestão de Catástrofes; Desenvolvimento de Recursos Humanos (desmembrado do Mistério do Trabalho e Serviço Público); Educação Superior, Investigação, Ciência e Tecnologia (que fazia parte da pasta da Educação); Cultura e Património (que estava com o Ministério da Juventude e dos Desportos).
Os ministérios-chave dos Assuntos Internos, Exército com o portfólio dos Veteranos, Finanças e Plano, Trabalho e Serviço Público, Agricultura e Género, Criança e Bem-estar Social continuaram nas mesmas mãos.
Algumas curiosidades: os Assuntos Religiosos desapareceram da pasta do Género e do Bem-estar Social; três ministros vieram do Governo de Unidade Nacional após a remodelação deste.
Salva Kiir premiou o bom desempenho dos oficiais do partido durante as eleições promovendo o secretário-geral e a secretária-geral adjunta para o sector do sul a ministros.
Kiir prometeu entregar 30 por cento dos cargos políticos a mulheres mas neste governo ficou aquém da fasquia. As sete mulheres representam cerca de 21 por cento.
Hoje a secretária-geral adjunta para o sector do sul e ministra das cooperativas e desenvolvimento rural disse à imprensa que o novo governo é o gabinete do referendo.
Anne Itto explicou que o executivo tem cinco prioridades: referendo, boa governação, segurança. Segurança alimentar e eficiência administrativa.
Os novos ministros devem tomar posse amanhã.

quarta-feira, junho 16, 2010

Amigo

            Jesus é meu amigo!
            Que no medo e no perigo
            Me acompanha.
            Está sempre comigo!

                              Às vezes parece que está longe
                              E eu sinto-me abandonado.
                              Mas logo a seguir
                              Sinto sua presença.

           Ele vem comigo,
           Me acompanha, embora escondido.
           E quando o perigo vem
           E se acerca de mim,
           Ele deita-me a mão
           E me sustém.

                               E eu fico reconhecido
                               Porque o meu amigo,
                               Num gesto de amizade profundo
                               Me diz, ‘não tenhas medo,
                               Eu venci o mundo!’.

segunda-feira, junho 14, 2010

Ele veio ao meu encontro

O meu nome é Zaqueu. Creio que me conhecem bem, mas há muita coisa na minha vida que eu tenho guardado só para mim. Sabem, aquele dia com Jesus foi a coisa mais extraordinária que aconteceu na minha vida! Eu era mesmo um safado! Desde jovem que só me preocupava comigo mesmo e fazia tudo para obter o que eu queria, mesmo que tivesse que passar por cima dos outros.
Cobrador de impostos foi a minha profissão de sempre. Ganhava muito dinheiro. Quer dizer, não era bem ganhar, entendem? Nunca me faltou nada na vida. Quer dizer, nunca me faltou dinheiro e tudo o que podia ser obtido através dele. Tinha uma casa bonita, não faltava nada aos meus filhos. Mas bem depressa comecei a ser desprezado pelos outros. E não eram só os estranhos que me desprezavam; eram os vizinhos, os que tinham sido meus amigos e até alguns familiares.
As coisas começaram a complicar-se muito na minha vida. Muitas vezes vinham manifestar-se à minha porta e até chegaram a atirar pedras às janelas. Tudo isso doía muito, pois começaram a atacar também a minha família. Com tudo isto, comecei a viver muito inquieto!
Um dia ouvi falar de um certo Jesus. Eram um homem estranho, diziam. Andava sempre na companhia de pessoas que ninguém queria por perto. Ao ouvir falar dele, comecei a sentir um desejo grande de o conhecer e tentei várias vezes encontrar-me com ele, mas foi muito difícil! Havia sempre alguém que me impedia de chegar até ele. Mas o desejo de o conhecer crescia cada vez mais dentro de mim.
Um dia ouvi dizer que ele estava para passar lá, na rua onde eu trabalhava. Vi muita gente que se aproximava e pensei logo que fosse ele, pois havia sempre muita gente atrás dele. Embora eu tivesse perdido a esperança de chegar perto dele, pelos menos decidi vê-lo nem que fosse de longe. Então subi a uma árvore; coisa que só os miúdos fazem, mas eu não me importei. Trepei a uma árvore e consegui vê-lo de longe. Mas, para minha surpresa, Jesus viu-me e chamou-me! Eu acho que muita gente ficou surpreendida tal como eu. Eu não cabia em mim de contente!
O que se passou a seguir vocês já o sabem. O que não sabem é que aquele encontro com Jesus virou a minha vida do avesso. Só de imaginar que Jesus tinha a coragem de vir a minha casa fez-me acelerar o coração!
Naquele dia chorei. Jesus sabia muito bem com quem se tinha metido. Mas nunca me dirigiu uma palavra de recriminação nem me julgou pelos meus disparates. Muitos dos pobres que eu tinha explorado estavam ali, juntamente com Jesus, em minha casa! Ao ver essa gente, o meu corpo tremia. Comecei a perceber como eu os tinha magoado tanto! Mas nenhum deles me acusou de nada! Pareciam estar contentes por estar comigo.
Agora, enquanto conto a minha história, as lágrimas correm-me no rosto; lágrimas de alegria, claro! Sei que muitos de vocês que estão a ler a minha história, mesmo sem serem cobradores de impostos, têm sentido a condenação dos outros por causa dos vossos disparates. Mesmo aquele a quem pedi para escrever estas palavras… Ele partilhou comigo que sente muita simpatia para comigo. Não sei se é por causa da sua estatura ou pelos disparates… Mas sabem, ele disse-me que (isto é segredo!) também ele se encontrou um dia com Jesus! E que Jesus nunca o acusou de nada! Tenho quase a certeza de que também vocês têm experimentado o que significa ser acolhido e amado apesar de todos os disparates.
Mas, voltando à minha história. Nunca pensei que algum dia pudesse chegar tão perto de Jesus. E quando todos tentaram manter-me longe dele, ele veio ao meu encontro. E isso fez toda a diferença.

domingo, junho 13, 2010

Mundial ao Contrário

Este apelo foi traduzido do sítio das Missionárias Combonianas Combonifem. É um apelo enviado à embaixadora da Africa do Sul na Itália, tendo como primeiro assinante o P. Alex Zanotelli, missionário comboniano, a favor dos pobres na África do Sul e dos movimentos que procuram defender os seus direitos. A campanha pretende recolher o maior número possível de assinaturas até ao dia 20 de Junho.

Sua Excelência, Embaixadora Thenjiwe Mtintso, somos associações, movimentos de base, cidadãos particulares. Todos carregamos no coração a história da África do Sul, a grande luta dos movimentos de libertação que aí se desenvolveram nas últimas décadas e o destino das populações oprimidas que foram protagonistas dessas lutas. Consideramos que é fundamental para a construção da nova África do Sul a promoção dos direitos e do papel social e político dos pobres.
Estamos particularmente preocupados com o tratamento dado aos habitantes dos bairros de lata e dos vendedores de rua por ocasião do Campeonato do mundo de Futebol. Os habitantes dos bairros de lata são despejados à força de suas casas e obrigados a viver em “transit camps”, enquanto aos vendedores de rua foi proibido vender as suas mercadorias enquanto durar o Campeonato do mundo. Aos pobres não lhes foi concedida a possibilidade de participar na construção de um percurso comum que conduzisse ao Campeonato do mundo. Ao contrário o Campeonato do mundo tornou-se numa oportunidade para reestruturar as cidades segundo critérios que favorecem somente a elite. Os pobres são atirados fora, longe dos olhos dos turistas e dos jornalistas. Por outro lado, as medidas de segurança adoptadas nos Mundiais limitam fortemente o direito que os cidadãos têm de exprimir democraticamente a dissidência em relação a este estado de coisas.
O movimento de base Abahlali base Mjondolo, construindo todos os dias uma democracia real, directa e participada, tem procurado opor-se a tudo isto desde há anos e luta pelo resgate dos mais pobres, pelo direito à terra, a casa, aos serviços básicos e a uma existência digna. Nós partilhamos das lutas deste extraordinário movimento e estamos do seu lado.
O movimento tem sido objecto de acções de repressão e de ataques violentos, o mais grave dos quais em Setembro de 2009 na ocupação espontânea da Kennedy Road em Durban, por dezenas de pessoas armadas, e que causou alguns mortos, a destruição de casas e bens de membros da Abahlali e a fuga de muitos deles para escaparem à violência. Apesar disso, detiveram 13 pessoas de entre as vítimas do ataque. Abahlali base Mjondolo e muitos observadores entre os quais alguns líderes religiosos, associações, ONG’s, académicos e simples cidadãos denunciando o papel ambíguo desenvolvido pela polícia local e pelos dirigentes locais do Anfrican National Congress (ANC). Estes últimos declararam à imprensa que a ocupação da Kennedy Road tinha sido “dispersada”.
No dia 31 de Maio, uma delegação de Abahlali, que se encontrava na Itália no decurso da campanha Mundial ao contrário (Mondiale al contrario), foi recebida na embaixada sul-africana em Roma. Durante o encontro foi pedido que a sua embaixada se fizesse porta-voz das exigências do movimento diante do governo sul-africano. Também nós fazemos nossas as exigências de Abahlali base Mjondolo e, por seu intermédio, pedimos às autoridades sul-africanas:
• Que o presidente Jacob Zuma responda ao memorando apresentado pela Abahlali base Mjondolo no dia 22 de Março 2010;
• Que os “transit camps” sejam abolidos e que os pobres possam ter pleno direito a viver na cidade;
• Que seja instituída uma comissão credível e independente para investigar os eventos ocorridos na Kennedy Road em Setembro de 2009;
• Que sejam imediatamente postos em liberdade Khaliphile Jali, Stutu Koyi, Zandisile Ngutshana, Siyabulela Mambi e Samukeliso Mkhokhelwa, as cinco pessoas ainda detidas injustamente em Westville no seguimento do ataque a Kennedy Road e ainda não informadas, 9 meses depois, sobre as motivações da sua detenção;
• Que as autoridades sul-africanas nacionais e locais se empenhem e garantam o pluralismo político e o direito de associação e de expressão da dissidência em todas as ocupações informais assim como nas cidades interessadas nas manifestações desportivas do Campeonato do mundo.
Certos de que quererá dar ao nosso apelo o peso que merece, apresentamos-lhe saudações especiais.
Pode-se enviar, até 20 de Junho, a adesão própria para carta@carta.org  com assunto “Adesione appelo Sudafrica”, indicando nome e sobrenome, cidade, eventual qualificação profissional e/ou organização à qual pertence. O número e os nomes dos aderentes serão apresentados nas páginas Web de Carta. Será transmitido regularmente à Embaixada da África do Sul um relatório sobre o andamento da recolha de adesões.

quinta-feira, junho 10, 2010

Os macacos que salvaram os peixes

A estação das chuvas naquele ano foi das piores de todos os tempos e o rio transbordou. Havia inundações por todo o lado e os animais fugiam para os montes. As águas corriam tão velozmente que muitos animais se afogaram, excepto os macacos sortudos que usavam a sua agilidade para trepar às árvores. Olhavam para baixo para a superfície das águas onde havia peixes a nadar, saltando na água como se fossem as únicas criaturas que estavam felizes com as inundações destruidoras.
Um dos macacos viu os peixes e gritou para o seu companheiro, “Olha para baixo, meu amigo, olha para aquelas pobres criaturas. Vão-se afogar. Vês como andam aflitos na água?”
“Sim”, disse o outro macaco. “Que pena! Provavelmente atrasaram-se a fugir para os montes; pois parece que não têm pernas. Como é que poderemos salvá-los?”
“Acho que devemos fazer alguma coisa. Vamos para mais perto da inundação onde a água não é muito profunda e podemos ajudá-los a sair da água para fora.”
Se assim o disseram, melhor o fizeram. Começaram a apanhar peixe, embora com muita dificuldade. Um a um, tiraram-nos da água e puseram-nos cuidadosamente em terra seca. Algum tempo depois havia uma quantidade enorme de peixe estendidos na erva, sem se mexer. Um dos macacos disse, “Estás a ver? Estão cansados, estão a dormir para repousaram um pouco. Se não fossemos nós, meu amigo, toda esta pobre gente sem pernas se teria afogado.”
“Tentaram fugir de nós,” disse o outro macaco, “porque não estavam a entender as nossas boas intenções. Mas quando acordarem vão ficar muito agradecidos porque os salvámos.”
(História Tradicional da Tanzânia)


segunda-feira, junho 07, 2010

Jesus saíu à rua

O Calendário Litúrgico da Igreja proporciona momentos de celebração que envolvem os cristãos de forma muito intensa. Nestes momentos, os cristãos sentem-se mais perto de Deus e, até os que normalmente não praticam, aparecem e juntam-se às multidões que exprimem a sua fé de forma mais activa. O dia do Corpo de Deus é um desses momentos. Em toda a Igreja este dia é revestido de um significado particular por ser a celebração da presença de Deus entre nós através da Eucaristia. Em Lilanda esta celebração é particularmente cheia de movimento e de cor. Assim foi ontem, dia do Corpo de Deus aqui em Lilanda.
Depois da celebração da Eucaristia em que a igreja paroquial se tornou pequena para tanta gente, saímos à rua para a procissão do Corpo de Deus. O percurso foi feito, como habitualmente, através de seis das vinte e quatro Comunidades Eclesiais de Base, com paragem obrigatória em cada uma delas. Cada comunidade preparou antecipadamente uma tenda onde acolheram os seus doentes. À passagem, todos parámos uns momentos para rezar pelos doentes e lhes dar a comunhão. Depois, receberam a bênção do Santíssimo. Foi um momento muito intenso para estes doentes. De facto, o Senhor, como nos seus dias da Galileia, vem ao seu encontro e lhes faz sentir que está perto e se preocupa com eles.
Os cânticos de alegria, acompanhados pelo som dos tambores e pelas danças dos participantes, davam vida e exprimiam a alegria e o entusiasmo dos cristãos por poderem exprimir a sua fé também diante dos que não acreditam. Jesus saiu à rua mais uma vez e atraiu as multidões que o acompanharam ou se juntaram para o ver passar.
Os movimentos apostólicos da paróquia, com as suas cores características davam um aspecto festivo à procissão. À multidão de vários milhares de católicos que tomaram parte na procissão, juntaram-se muitas outras pessoas, incluindo não católicos e não cristãos que, movidos pela curiosidade ou por algo mais profundo, enchiam as ruas do bairro. Todos queriam ver o Senhor passar. E aqueles que, por qualquer motivo, não O conseguiam ver, recorriam à estratégia de Zaqueu, para que a multidão não os impedisse.
A Celebração terminou no recinto da paróquia com um momento de silêncio e adoração.

quarta-feira, junho 02, 2010

Governo da Zâmbia ataca a Igreja Católica

O governo da Zâmbia iniciou uma investida contra a Igreja Católica por esta, alegadamente, se ter colocado do lado da oposição na crítica ao governo. Na quarta-feira, 2 de Junho, o jornal diário The Post publicou uma notícia relativa a mais uma entrevista dada pelo arcebispo de Lusaka D. Telesphore George Mpundu que tem estado na vanguarda nas críticas ao governo.
“O arcebispo Mpundu declarou que a Igreja Católica não será intimidada mesmo se ela tem sido considerada como a maior ameaça à busca de poder absoluto por parte do poder político”, afirma o The Post, que é o jornal independente de maior relevo no país.
A polémica criada à volta da Igreja Católica foi reacendida pelo antigo presidente da Zâmbia Frederick Chiluba, quando há cerca de três meses, acusou a Igreja de ter uma agenda política e de querer derrubar o governo. Fez também um ataque pessoal ao arcebispo de Lusaka na tentativa de denegrir o seu bom nome e o bom nome da Igreja.
Desde essa altura, os ataques do governo têm-se repetido e intensificado. Mas a “Igreja não deixará de se colocar do lado dos pobres e dos sem voz,” afirma o arcebispo.
“O ódio contra os católicos tem a sua origem na percepção errada de que o Arcebispo Mpundu tem ambições políticas e que a Igreja Católica tem uma agenda política e quer governar esta nação,” afirma o referido artigo.
Nas palavras do arcebispo, “os líderes da Igreja Católica, juntamente com os fiéis, continuarão a promover a Doutrina Social da Igreja e o bem comum de todos, particularmente dos pobres, dos fracos e dos sem voz. Ela não se deixará intimidar”.
Enviando também as suas críticas aos meios de comunicação social locais, o arcebispo afirmou que eles não “devem ser instrumentos de propaganda dos que exercem o poder”. Os sucessivos governos têm despojado os meios de comunicação da sua independência e liberdade de expressão.
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