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sexta-feira, julho 16, 2010

Quinze anos de Sacerdócio

Hoje, 16 de Julho, é o dia do aniversário da minha ordenação sacerdotal. 15 anos ao serviço da missão como sacerdote missionário comboniano. Ao escrever estas palavras quero exprimir a minha gratidão a Deus e a quantos fizeram e fazem parte da minha história. Por isso, quero recordar o apoio incondicional dos meus pais e irmãos e restantes familiares e amigos que, ao longo destes anos todos sempre estiveram ao meu lado e me encorajaram a ser fiel ao meu sacerdócio.
Este é também um momento para fazer memória de algumas outras pessoas e eventos que marcaram a minha vida como sacerdote. Tiveram uma importância fundamental os primeiros três anos logo a seguir à minha ordenação, passados no Sudão do Sul. Tempos difíceis da guerra, foram marcados sobretudo pelo exemplo e entusiasmo missionário de dois homens que me ensinaram a ser missionário e sacerdote. Falo do P. Elvio Chellana, que já se encontra na casa do Pai, e do Ir. Valentino Fabris que foram para mim exemplos de entusiasmo, serviço, fidelidade, entrega e amor à gente que todos procurámos servir. O Ir. Valentino tem agora 88 anos de idade. Um exemplo de fidelidade ao Senhor a quem serviu, quase sempre no Sudão, desde 1949.
As viagens intermináveis de bicicleta pela floresta densa e verde, são algo que eu recordarei sempre como uma experiencia extraordinária da minha vida. Às vezes difíceis por causa da malária que nos visitava frequentemente como amiga fiel, estas viagens faziam-me sentir perto de Deus e da natureza; faziam-me também sentir muito perto da gente, pois quando visitávamos as aldeias ficávamos sempre várias semanas fora, vivendo no meio da gente e adoptando o seu estilo de vida. Foram anos marcados pelo “encontro” com Deus, com aquela gente simples e pobre (os Azande) e comigo próprio. Estes primeiros anos de sacerdócio lançaram os alicerces da minha vida missionária.
Os anos que se seguiram (1998-2005) passei-os em Portugal e foram marcados essencialmente pelo desejo de voltar à missão. E, embora o meu desejo era de poder voltar ao Sudão, os superiores pediram-me para partir para a Zâmbia, onde me encontro presentemente.
Na Zâmbia, tive a oportunidade de trabalhar em Chikowa, uma missão no interior do país, em muitos aspectos semelhante a Nzara, no Sul do Sudão. E, quando estava já a sentir-me ‘em minha própria casa’ foi-me pedido novamente para partir, desta vez para Lilanda, uma paróquia nos arredores de Lusaka. Esta é uma realidade completamente diferente de todas as outras que eu tinha vivido anteriormente.
Lilanda é um lugar muito especial. A vida da comunidade cristã é marcada pela celebração e pela festa que contrastam com a pobreza generalizada característica dos bairros pobres da cidade. Aqui tenho aprendido a celebrar Deus, o Deus do encontro e da vida! Posso dizer que os cristãos de Lilanda me têm ensinado a ser sacerdote sobretudo pela grande capacidade de colocar tudo nas mãos de Deus e de celebrar a fé.
Ser padre para mim tem sido um caminho de contínua descoberta; descoberta de Deus na oração e no ministério que me foi confiado; descoberta dos valores e da fé daqueles que se têm cruzado comigo ao longo da minha vida; descoberta de mim mesmo e dos dons que o Senhor me tem concedido para o exercício da minha vocação missionária. Descoberta do facto de que nunca estive sozinho nesta bonita aventura de servir a gente na simplicidade e na pobreza da minha pessoa. O Senhor esteve sempre lá! Estiveram lá também tanta gente que, com a sua oração e apoio me têm sustentado no caminho.
Tenho certamente encontrado dificuldades! Mas as dificuldades são parte de qualquer vida digna de ser vivida. Hoje não peço a Deus para as remover do meu caminho, mas a força para continua a servi-Lo com generosidade. Por isso termino esta minha partilha recordando as palavras de Brenda Short:
“Não peças para que a carga da tua vida seja leve,
Mas pela coragem de perseverar;
Não peças pela tua realização pessoal em toda a tua vida,
Mas pela paciência na aceitação da frustração;
Não peças por perfeição em tudo o que fazes,
Mas pela sabedoria para não repetir os mesmos erros;
E, finalmente, não peças por mais nada sem antes dizer
‘Obrigado’ pelo que já recebeste”.
Zikomo kwambiri.

5 comentários:

Ester disse...

Olá Horácio!
Parabéns por mais um aniversário desta data tão importante!
Que Deus continue sempre a guiar os teus passos e te conceda a graça de poderes festejar esta data por muitos anos.
Beijinhos

jose disse...

Olá Horácio.
Parabéns por mais um ano de sacedócio.
Pessoas como tu que só dão sem esperar receber nada, são necessárias neste mundo e por isso te desejo que festejes muitos mais anos.
É uma honra ser teu amigo.
Felicidades e um forte abraço.
Zeca

Anónimo disse...

Parabéns por mais um aniversário!
Desejo que a vida lhe corra sempre bem.
Que Deus lhe continue a dar a sabedoria que tem tido até hoje e o ajude sempre, em todos os momentos.
Beijinhos desta sua amiga, A

Anónimo disse...

Felicito-o por mais um aniversário!
Um abraço do amigo Zé de Coimbra

Guida Jesus disse...

Parabéns Horácio!
Já um pouco tarde...
Agradeço a Deus o Dom da tua vocação!
Obrigado também a ti pelo dom da nossa amizade!
Beijinhos

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