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segunda-feira, junho 14, 2010

Ele veio ao meu encontro

O meu nome é Zaqueu. Creio que me conhecem bem, mas há muita coisa na minha vida que eu tenho guardado só para mim. Sabem, aquele dia com Jesus foi a coisa mais extraordinária que aconteceu na minha vida! Eu era mesmo um safado! Desde jovem que só me preocupava comigo mesmo e fazia tudo para obter o que eu queria, mesmo que tivesse que passar por cima dos outros.
Cobrador de impostos foi a minha profissão de sempre. Ganhava muito dinheiro. Quer dizer, não era bem ganhar, entendem? Nunca me faltou nada na vida. Quer dizer, nunca me faltou dinheiro e tudo o que podia ser obtido através dele. Tinha uma casa bonita, não faltava nada aos meus filhos. Mas bem depressa comecei a ser desprezado pelos outros. E não eram só os estranhos que me desprezavam; eram os vizinhos, os que tinham sido meus amigos e até alguns familiares.
As coisas começaram a complicar-se muito na minha vida. Muitas vezes vinham manifestar-se à minha porta e até chegaram a atirar pedras às janelas. Tudo isso doía muito, pois começaram a atacar também a minha família. Com tudo isto, comecei a viver muito inquieto!
Um dia ouvi falar de um certo Jesus. Eram um homem estranho, diziam. Andava sempre na companhia de pessoas que ninguém queria por perto. Ao ouvir falar dele, comecei a sentir um desejo grande de o conhecer e tentei várias vezes encontrar-me com ele, mas foi muito difícil! Havia sempre alguém que me impedia de chegar até ele. Mas o desejo de o conhecer crescia cada vez mais dentro de mim.
Um dia ouvi dizer que ele estava para passar lá, na rua onde eu trabalhava. Vi muita gente que se aproximava e pensei logo que fosse ele, pois havia sempre muita gente atrás dele. Embora eu tivesse perdido a esperança de chegar perto dele, pelos menos decidi vê-lo nem que fosse de longe. Então subi a uma árvore; coisa que só os miúdos fazem, mas eu não me importei. Trepei a uma árvore e consegui vê-lo de longe. Mas, para minha surpresa, Jesus viu-me e chamou-me! Eu acho que muita gente ficou surpreendida tal como eu. Eu não cabia em mim de contente!
O que se passou a seguir vocês já o sabem. O que não sabem é que aquele encontro com Jesus virou a minha vida do avesso. Só de imaginar que Jesus tinha a coragem de vir a minha casa fez-me acelerar o coração!
Naquele dia chorei. Jesus sabia muito bem com quem se tinha metido. Mas nunca me dirigiu uma palavra de recriminação nem me julgou pelos meus disparates. Muitos dos pobres que eu tinha explorado estavam ali, juntamente com Jesus, em minha casa! Ao ver essa gente, o meu corpo tremia. Comecei a perceber como eu os tinha magoado tanto! Mas nenhum deles me acusou de nada! Pareciam estar contentes por estar comigo.
Agora, enquanto conto a minha história, as lágrimas correm-me no rosto; lágrimas de alegria, claro! Sei que muitos de vocês que estão a ler a minha história, mesmo sem serem cobradores de impostos, têm sentido a condenação dos outros por causa dos vossos disparates. Mesmo aquele a quem pedi para escrever estas palavras… Ele partilhou comigo que sente muita simpatia para comigo. Não sei se é por causa da sua estatura ou pelos disparates… Mas sabem, ele disse-me que (isto é segredo!) também ele se encontrou um dia com Jesus! E que Jesus nunca o acusou de nada! Tenho quase a certeza de que também vocês têm experimentado o que significa ser acolhido e amado apesar de todos os disparates.
Mas, voltando à minha história. Nunca pensei que algum dia pudesse chegar tão perto de Jesus. E quando todos tentaram manter-me longe dele, ele veio ao meu encontro. E isso fez toda a diferença.

terça-feira, março 10, 2009

Vinde e vede!

Na aldeia todos me chamam Joana. E toda a gente fala de mim, ultimamente. Falam com razão, porque ultimamente tenho feito um monte de disparates na minha vida.
Às vezes dou comigo a matutar; eu sei que há tanta gente que faz muito mais disparates do que eu; e muito maiores. Mas entre o meu povo, é suficiente nascer mulher para deixar de se ter direitos. Nós não contamos para nada. É isso mesmo! Não contamos mesmo para nada! É preciso ter mesmo pouca sorte para se nascer mulher!
Mas hoje estou muito feliz. Há dias tinha ido a casa do carpinteiro cá da aldeia – Jesus, creio que o conhecem – para me vir arranjar a porta da minha casita que estava completamente estragada. Jesus veio concertá-la esta manhã.
Com ele vieram também dois jovens que o acompanhavam. Ao princípio pensei que fossem seus trabalhadores. Mas não trabalhavam. Não faziam outra coisa que olhar para Jesus enquanto trabalhava. Para Jesus e para mim!
De facto, dava gosto olhar para Jesus e vê-lo trabalhar. O modo como ele tratava a madeira, o carinho com que martelava os pregos (é que também se podem martelar pregos com carinho, sabiam?). Eu nunca tinha visto ninguém trabalhar assim. Jesus trabalhava como se estivesse a relacionar-se com a madeira e com as ferramentas. Estávamos todos pasmados!
Um dos jovens que tinha vindo com Jesus olhou à sua volta por toda a minha casa como se estivesse à procura de alguma coisa, e veio poisar o seu olhar sobre mim. Fiquei corada. Pensei que ele tivesse sido atraído pela minha maneira de vestir provocadora, e estivesse a olhar-me com segundas intenções! Eu sempre penso isso de todos os homens que me olham! Mas o seu olhar era diferente.
De Jesus eu já tinha ouvido falar muito durante o período que ele esteve ausente da aldeia. Diziam que ele tinha ido estudar as Escritura e que se tinha tornado num homem muito estranho. Mas ao ver este jovem olhar para mim desta maneira, como quem estava grandemente preocupado comigo, comecei a pensar que talvez ele fosse um dos seguidores de Jesus, e que já tinha aprendido muito com ele.
Imaginem só! Eu que estava tão habituada a ser olhada com malícia pelos homens da aldeia! Sentia agora que havia outra maneira de ser olhada, sem interesse e sem malícia. Senti-me tão diferente! Senti uma coisa cá dentro, que parecia um fogo abrasador. Era tudo tão estranho, mas tão bom!
Um dos jovens disse-me ao ouvido, que eles tinham vindo ver Jesus porque tinham ouvido falar dele. Mas que agora estavam pasmados com o que tinham testemunhado neste primeiro dia com ele. Encontraram-no ontem e quiseram ver onde ele morava. Disse-me também que Jesus lhe dissera que se o quisessem conhecer teriam que ir e ver mais de perto como é que ele vivia. Continuamos, por alguns momentos a olhar-nos mutuamente. O outro jovem seguia cada movimento de Jesus.
Enquanto trabalhava, Jesus ia falando assim meio sozinho, “Felizes os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus”. Eu não entendia muito bem o que ele dizia. Neste momento estava eu a dar voltas à minha cabeça para encontrar maneira de pagar pelo serviço.
Tentei dizer alguma coisa, mas Jesus interrompeu-me com um sorriso acolhedor que me penetrou o coração e me deixou completamente sem palavras.
“Agora tens uma porta nova, Joana”, disse Jesus. Eu sabia que não encontraria nada com que pudesse pagar a porta nova da minha casa, e Jesus entendeu isso. “Não te preocupes, Joana”, disse Jesus, “eu trabalho gratuitamente”.
Eu não cabia em mim de contente. Agora, a minha casa tinha uma porta nova, que era sinal da passagem por ali de alguém diferente, que tinha deixado marcas no meu coração e me tinha feito sentir profundamente acolhida.
E, mais importante do que tudo o resto, em minha casa vivia agora uma mulher diferente.
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