segunda-feira, março 29, 2010

Ele está vivo!

Os eventos daquela madrugada do Primeiro Dia da semana mudaram tudo! A partir de agora nada seria como dantes! O sepulcro ficara vazio. Foi como que uma explosão cujo clarão continua a iluminar as vidas dos que acreditam e cujo calor incendeia os corações dos amigos de Jesus.
A desilusão e o desânimo dão lugar à esperança; o medo dá lugar ao entusiasmo e à coragem; a tristeza dá lugar à alegria; o ódio dá lugar ao perdão; a dúvida dá lugar à certeza; a morte na cruz dá lugar à vida da ressurreição! E os que se tinham escondido, aterrorizados pelos acontecimentos daquela Sexta-feira em Jerusalém, vêm agora para as ruas movidos por uma força que não é sua, mas que os impele e move em todas as direcções!
Continuamos hoje a viver os mesmos acontecimentos na fé! O fogo que ardia nos corações dos amigos de Jesus, continua a arder no meu coração! Talvez não tenha a mesma fé dos que testemunharam tudo desde o início, e às vezes o medo e a dúvida estejam presentes! Mas a alegria desta vida nova que está também em mim, deve irradiar uma esperança que só o Senhor ressuscitado pode dar.
Também eu, como as mulheres que encontraram o Senhor ressuscitado, sou convidado a ir contar aos meus irmãos que Ele está vivo e me precede nos caminhos de Lilanda (a minha Galileia!). Sim, Ele precede-me onde quer que eu vá! E eu sei que Ele está vivo!
Sim, Ele está vivo! Há muitos irmãos que continuam a ser crucificados e para quem a morte parece ter a última palavra! Mas Ele anda por aí! A sua força continua a animar muitos dos seus amigos! Por isso continuamos a acreditar na sua Boa Nova!
Vamos! Contemos aos seus irmãos! Ele está vivo!
Boa Páscoa!

quarta-feira, outubro 07, 2009

De volta a Lilanda

Caríssimos amigos e amigas,
Depois de umas férias em Portugal, aqui estou eu de volta a Lilanda, completamente recauchutado! E, embora ainda não tenha recuperado completamente do ritmo das férias, agora é só arregaçar as mangas e deitar mãos à obra.
Durante as férias encontrei-me com muitos amigos, falei com outros pelo telefone! Outros, prometi visitá-los e não consegui! Parece que, durante as férias, o tempo passa muito mais depressa e, quando damos por ela, já eram!!! Mas recordo a todos sempre com muita gratidão e amizade. Desculpem-me os que não consegui visitar!
Mas Lilanda é a minha terra prometida! Por isso, estou muito feliz por ter voltado, mesmo se encontrei desafios novos para enfrentar! A vida missionária é mesmo assim! E os vários projectos da paróquia (a escola comunitária, o programa de assistência e ajuda a doentes de Sida…) não nos dão tréguas.
A Escola Comunitária St. Joseph, é uma escola para meninos órfãos da nossa paróquia de Lilanda! Este ano temos 368 meninos e meninas a frequentar as aulas. Há tantos outros que não têm oportunidade de ir à escola! Este é um dos projectos prioritários da paróquia! Falarei dele em detalhe mais tarde num artigo que estou a preparar para publicar aqui no blogue.
O programa de assistência aos doentes de Sida é outro projecto prioritário para nós, uma vez que o número de infectados com o vírus HIV cresce dramaticamente todos os dias! Até agora temos tido sorte, pois este projecto tem vindo a ser patrocinado por algumas organizações, por intermédio da Arquidiocese de Lusaka, o que não acontece com a escola, que depende do esforço dos cristãos da paróquia e de outras pessoas de boa vontade! Também deste projecto falarei no mencionado artigo!
O meu serviço missionário, aqui em Lilanda, tem sido uma verdadeira experiência de Deus! O encontro com o pobre e o doente; o confronto diário com a precariedade da vida; a sensação de impotência perante os vários desafios com que me defronto diariamente… Tudo isto me coloca interrogações às quais só Deus pode responder! Devo dizer que tenho aprendido, com esta gente, a confiar mais em Deus e a acreditar que só ele é o Senhor da vinha, e nós, pobres trabalhadores!
Hoje mesmo visitei uma senhora muito doente! Impressionou-me, como aliás me impressiona sempre, a alegria que exprimiu ao receber a minha visita! ‘Zikomo abambo,’ dizia, ‘mwandibweretsera Yesu!’ (Obrigado padre, trouxeste-me Jesus). E deixou escapar umas lágrimas, enquanto falava comigo. Deus mostra-se assim presente no meio do pobre através da nossa presença pobre! Mas é, certamente, através da nossa pobreza que Ele quer continuar a salvar!
Ao escrever-vos estas palavras, exprimo, mais uma vez, a minha gratidão pelo apoio de todos, e continuo a pedir a vossa oração! O vosso apoio e comunhão são expressão da vossa participação na missão que é de todos nós, cristãos.
Fiquem com Deus! Eu continuo também a rezar por vocês todos.
Um abraço muito amigo!


domingo, julho 12, 2009

Amor que cura


É enfermeira e pertence ao Instituto das Religiosas do Sagrado Coração de Maria. A Ir. Cândida Figueiredo, natural de Esposende, chegou à África em Janeiro de 2008. Desde então tem-se dedicado à assistência de doentes de SIDA, na pequena clínica ‘Martin Hospice’ em Choma, uma pequena cidade do sul da Zâmbia.
Como outros centros urbanos da Zâmbia, Choma tem sido destino de muita gente vinda de todas as partes do país, à procura de uma vida melhor. Por isso, os ‘compounds’ (zonas residenciais habitadas pelos pobres!) têm crescido muito nos últimos anos. Com eles, vai crescendo também o número de seropositivos, uma realidade que se torna cada vez mais alarmante na Zâmbia.
A pequena clínica, onde trabalha a Ir. Cândida, acolhe cerca de uma dúzia de pacientes seropositivos. Estes vêm, não só dos arredores da pequena cidade de Choma, mas também das zonas rurais à sua volta. Normalmente chegam à clínica quando já não há muito a fazer para lhes melhorar a qualidade de vida. No entanto, alguns dos doentes experimentam melhorias significativas, não tanto pela acção dos medicamentos, mas pelo carinho e atenção de quem cuida deles.
É o caso do Chipo, um jovem de 17 anos, que parecia estar para morrer quando chegou à clínica. Após algumas semanas, parecia uma pessoa diferente. Algo lhe devolvera a vontade de viver. O carinho e os cuidados da Ir. Cândida deram uma esperança nova ao pequeno Chipo. “A Cândida devolveu-lhe a vida”, dizia-me uma das irmãs da sua comunidade quando lhe perguntei por ele.
A Sida continua a ser uma doença que inspira medo! Por isso, até os próprios familiares dos doentes têm dificuldade em lidar com os casos que têm na família. Na maioria dos casos, as crianças seropositivas que perderam os pais, são entregues a familiares que, muitas vezes, não cuidam bem deles e, em alguns casos, expulsam-nos de casa.
Estou a lembrar-me do pequeno Jessely que nasceu seropositivo. Tem 12 anos de idade, mas aparenta 7. Chegou à clínica de Choma há menos de dois meses. Com o tratamento, tem-se sentido melhor. Mas o pensamento de ter que voltar para casa assusta-o. “Não quero voltar para casa! Se volto, os meus tios matam-me!” “O seus olhos espelhavam o medo que lhe ia na alma”, comentava a Ir. Cândida.
Para estes jovens, como para tantos outros doentes da pequena clínica, a Ir. Cândida é muito mais que uma enfermeira. Ela é um sinal do amor misericordioso de Deus que se aproxima dos que sofrem; uma presença amiga que lhes transmite carinho, confiança, vontade de recomeçar a viver e um pouco de alegria, ao fazer-se acompanhar com frequência pela sua viola!
Quando fala dos seus doentes, a Ir. Cândida exprime um grande sentido de gratidão por ter a oportunidade de cuidar eles. Eles são, para ela, o rosto de Jesus, presente nos que sofrem. Ao falar do pequeno Jessely, dizia, “Vou ter saudades dele, é muito amoroso e transmite muita alegria, mesmo no meio do seu sofrimento!”
Fotos:
1) Ir. Cândida com senhora seropositiva na pequena clínica;
2) Com Chipo no início de tratamento;
3) Com Chipo depois de algumas semanas na clínica.

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