quarta-feira, julho 20, 2011

Uma Canção

Se uma canção bastasse
Para mudar o mundo!
Passaria a vida a cantar!

Os homens seriam mais responsáveis,
As mulheres mais livres
E as crianças mais amáveis
E felizes!
A vida faria mais sentido
Porque a minha canção
Ressoar-lhes-ia continuamente
Ao ouvido.

Os velhinhos seriam mais protegidos,
Os doentes mais bem acolhidos
E os drogados mais aceitados
E queridos.
A vida faria mais sentido
Porque a minha canção
Ressoar-lhes-ia continuamente
Ao ouvido.

Os políticos seriam mais honestos,
Os governantes mais preocupados;
Não haveria mais guerra
Nem refugiados.
A vida faria mais sentido
Porque a minha canção
Ressoar-lhes-ia continuamente
Ao ouvido.

Se uma canção bastasse
Para mudar o mundo!
Passaria a vida a cantar!

quinta-feira, outubro 21, 2010

Entrevista à Agência Ecclesia

A Agência Ecclesia publicou hoje, 21 de Outubro, um artigo baseado numa entrevista dada ontem à noite. Pode ajudar a criar uma maior sensibilidade para a realidade missionária e a viver melhor o Dia Missionário Mundial que se aproxima. O próximo Domingo, 24 de Outubro, é uma oportunidade única para cada cristão tomar uma maior consciência da sua vocação missionária. Aconselho a leitura do referido artigo. Para ler o artigo click aqui!

segunda-feira, outubro 18, 2010

Primeiro Congresso Missionário na Zâmbia

Realizou-se em Lusaka, Zâmbia, o primeiro Congresso Missionário subordinado ao tema “Somos todos missionários”. De 13 a 15 de Outubro, o evento reuniu cerca de uma centena de pessoas entre clero diocesano, religiosos, religiosas e leigos.
O P. Moises García, comboniano mexicano, definiu o evento como “um desafio para nós, missionários” pois a Igreja local é cada vez mais chamada a tomar a iniciativa da evangelização; é também “um ponto de partida para a igreja local como igreja missionária”.
Nas palavras de Antony Mkhari, estudante comboniano Sul-africano que participou no evento, esta foi uma oportunidade para a igreja local “alargar os seus horizontes e tornar-se cada vez mais consciente da sua vocação missionária”. Na sua opinião, a igreja na Zâmbia enfrenta vários desafios relacionados com a sua ‘vocação’ evangelizadora. Se, por um lado, a primeira evangelização é uma prioridade absoluta nas zonas rurais, por outro, há um desafio enorme nas cidades, onde assistimos a um êxodo de católicos que facilmente se deixam seduzir por comunidades cristãs evangélicas e pentecostais. É tempo de nos perguntarmos: por que é que isto acontece?
O Congresso foi “um verdadeiro acontecimento do Espírito para a Igreja da Zâmbia”, dizia o P. Carlos Nunes, comboniano português que teve um papel preponderante na organização e realização deste evento. O P. Carlos Nunes é o Director das Obras Missionárias Pontifícias na Arquidiocese de Lusaka desde há 3 anos. Agora ao regressar a Portugal para um novo serviço missionário é um homem visivelmente satisfeito por ter contribuído para uma maior sensibilização da Igreja local em relação à sua vocação missionária, e por ter contribuído activamente para que este evento fosse possível.
Nesta, que foi a primeira iniciativa do género na Zâmbia, foi realçado o valor da oração como parte da missão. A missão deve estar centrada no encontro com a Trindade, isto é, “o Pai que envia o Filho e o Espírito para se manifestarem em nós”, como se pode ler numa das moções finais do Congresso.
É de fundamental importância que, no serviço de evangelização, a Igreja faça uso dos meios modernos de comunicação, uma vez que, sobretudo nas zonas urbanas, o uso destes meios é hoje generalizado.
Os trabalhos do Congresso concluíram com uma peregrinação missionária ao Santuário Mariano da Arquidiocese de Lusaka, com a participação de cerca de 3500 pessoas, entre elas um grande número de crianças da Infância Missionária. Uma iniciativa que deu um brilho especial ao mês de Outubro, mês missionário por excelência.
O evento contou com a presença e participação do P. Timothy Lehane, Secretário-geral das Obras Missionárias Pontifícias em Roma. A sua presença deu maior relevo e visibilidade ao acontecimento. Na sua intervenção, realçou o papel dos institutos religiosos na missão da Igreja.
A realização deste Congresso Missionário foi um passo muito importante na tomada de consciência da Igreja local para a sua vocação missionária. Esperava-se, no entanto, um envolvimento maior das autoridades religiosas locais que, desta vez, se mantiveram um pouco à margem do acontecimento.
Resta-nos esperar que haja continuidade e que os bispos da Zâmbia agarrem a oportunidade de tornar as suas Igrejas mais missionárias.



segunda-feira, outubro 11, 2010

Daniel Comboni

Hoje, 10 de Outubro, celebramos S. Daniel Comboni. Recordamos e celebramos o nosso pai e fundador que continua a sustentar-nos com a sua força e carisma. Nós somos as mil vidas que ele desejou ter para dedicar à salvação dos africanos. Sim, a sua obra não morre!
Também aqui em Lilanda, celebramos esta festa. Comboni é também venerado pelos cristãos da Lilanda, especialmente pelos cristãos da Comunidade de Base que tem o seu nome. Hoje, sentem-se muito orgulhosos do seu santo protector.
A celebração da Eucaristia dominical teve especial solenidade e com o entusiasmo característico da comunidade cristã de paróquia de Lilanda. O canto e a dança, acompanhados com o som dos tambores e das guitarras encheram a celebração de cor e de alegria.

segunda-feira, setembro 13, 2010

Alegria de brincar juntos

É domingo ao fim da tarde. Num canto sossegado da capela da comunidade procuro um pouco de silêncio. O fim-de-semana foi muito ocupado com várias actividades e sobretudo com muita gente. No silêncio do fim da tarde procuro simplesmente parar e deixar-me invadir pela presença de Deus. Procuro colocar nas Suas mãos as pessoas e actividades que ocuparam o meu fim-de-semana e as que, lá longe, de uma forma ou de outra, fazem parte da minha vida e me acompanham com o seu apoio e oração.
Enquanto procuro ficar em silêncio deixo-me distrair pelo cantar de um grilo que, lá fora, me transporta para os dias da minha infância e juventude em que o cantar dos grilos e o chilrear dos pássaros eram a polifonia característica da primavera e do verão.
Passado algum tempo há outras vozes que, pouco a pouco, vão atraindo a minha atenção. São as crianças das famílias vizinhas que brincam alegremente mesmo aqui ao lado. De repente lembrei-me das nossas brincadeiras de criança e jogos tradicionais, sobretudo nos dias longos de verão, que estimulavam a nossa imaginação e criatividade e animavam o entardecer de cada dia. Eram sobretudo oportunidades para criar laços de amizade e de camaradagem entre todos.
É com uma certa saudade que recordo esses tempos! Parece-me que as crianças de hoje têm perdido muito da alegria de brincar umas com as outras. Parece-me, digo! Não havia televisão nem telemóveis! Não havia computadores nem consolas para jogar! Por isso, a imaginação era estimulada de uma maneira extraordinária e dava vida à aldeia. Hoje, na minha aldeia, não se brinca na rua: as crianças brincam com o telemóvel, jogam ao computador, vêem televisão!
Aqui em Lilanda, e noutras paragens africanas por onde tenho passado, as crianças continuam a sentir muitas das ‘carências’ que eram sentidas nos meus tempos de criança. Mas hoje aqui, como então, há algo de maravilhoso que me toca profundamente! Há crianças que continuam a brincar em grupo; inventam jogos novos; constroem os seus próprios brinquedos!
Fala-se que vivemos na era das comunicações! E é verdade: hoje comunica-se muito e a tecnologia torna possível comunicar em tempo real com pessoas a milhares de quilómetros de distância. Mas não comunicamos com a mesma facilidade com os que estão ao nosso lado.
Ao reflectir sobre estas pequenas coisas, constato que a abundância nem sempre torna as pessoas mais humanas. Certamente que ninguém gostaria de voltar aos tempos difíceis de outrora em que muita gente não tinha o essencial para viver uma vida digna! Mas talvez houvesse mais humanidade! As pessoas falavam mais umas com as outras; conviviam mais; eram mais solidárias.
Aqui as pessoas são pobres e nós devemos continuar a lutar para que tenham uma vida mais digna. Mas devemos também continuar a lutar para conservar aqueles valores que nos tornam mais próximos uns dos outros.
Anoiteceu! Mergulhei novamente no silêncio… Chegou a hora da oração da comunidade.

terça-feira, agosto 17, 2010

Cinquenta anos juntos

No sábado, dia 14 de Agosto, celebraram as suas Bodas de Ouro os meus pais Maria de Jesus e José. A celebração teve lugar na Igreja Paroquial de Penude com a presença de todos os seus filhos, genros, noras e netos. Estiveram presente também o P. Adriano, nosso pároco e o P. Avelino Maravilha, missionário comboniano que, no momento, se encontra de férias. O P. Avelino encontra-se actualmente a trabalhar no Chade. Contámos também com a companhia preciosa dos nossos amigos Arlinda, José e Ester de Coimbra.
Quisemos que esta celebração fosse sinal e expressão do reconhecimento e do amor dos filhos por todas as coisas boas que temos recebido dos nossos pais, sobretudo pelo dom da vida que deles recebemos, e pelo apoio incondicional que sempre nos deram em todos os momentos da nossa vida.
Foi o desejo de exprimir tudo isto que motivou a minha vinda da Zâmbia para passar com eles estes curtos momentos. Acredito que a minha vocação é também a vocação dos meus pais que, com muita generosidade, sempre me deixaram partir, embora, muitas vezes, com as lágrimas nos olhos! Por isso quero também exprimir a gratidão por tudo o que eles significam para mim.
Os nossos pais têm sido sempre para nós, seus filhos, sinal de fidelidade e perseverança nas dificuldades. Este pequeno texto é mais uma homenagem que lhes quero prestar. Rezo para que o Senhor continue a abençoá-los e lhes dê muitos anos de vida cheios de coisas boas.

segunda-feira, julho 26, 2010

Festa em Lilanda

No Domingo, 25 de Julho, teve lugar em Lilanda a Festa da Paróquia. A Eucaristia, que teve lugar na Escola Comunitária St. Joseph de Lilanda, contou com a presença de vários milhares de cristãos que celebraram o seu padroeiro S. André Kaggwa (um dos mártires do Uganda) com muita alegria e entusiasmo. A celebração foi marcada pela alegria e pela festa. Numa cerimónia cheia de cor, os cânticos e a dança deram um brilho muito especial à celebração da Eucaristia.
Ao mesmo tempo celebrámos o 10º aniversário da existência da nossa Escola Comunitária que proporciona a possibilidade de ir à escola a mais de 300 crianças órfãs da nossa paróquia. Por isso, as crianças da escola tiveram um lugar especial na celebração.
No final da Eucaristia, teve lugar um momento de confraternização com destaque para as várias actividades culturais e recreativas: canções, danças, poemas, teatros, e muita alegria. Também aqui as crianças da escola e do jardim infantil alegraram toda a gente com a sua actuação.
Esteve connosco o Sr. Pepe Verdugo, médico espanhol, em representação da Fundación Solidaridad Candelaria, que nos ajuda a financiar a nossa Escola de St. Joseph. Foi um momento muito importante para expressar a nossa gratidão à Fundação e ao Sr. Pepe pela ajuda preciosa que nos estão a prestar, tornando assim possível a continuação da escola e o ensino para estes órfãos que, de outro modo, não teriam possibilidade de ir à escola. Em nome deles deixo aqui, mais uma vez, uma palavra de gratidão. Zikomo kwambiri! Mulungu akudalitseni!








sábado, julho 17, 2010

O Som do Silêncio

Nestes dias estamos a fazer o nosso retiro anual. No início do retiro pergunto-me: o que é que me leva a deixar as minhas actividades normais do dia-a-dia, a minha gente, a casa onde me sinto confortável e partir à procura do silêncio? O retiro é um tempo ideal para descansar a mente e o corpo, renovar o entusiasmo pelo ministério, etc. Tudo isto são razões válidas para o missionário se retirar. Mas o missionário deve sentir este chamamento de Deus a procurar períodos de silêncio, reflexão, meditação e escuta da sua vontade.
No início do retiro, o pregador laçou o mote: vim fazer o retiro para celebrar a presença de Deus na minha vida. Vim para me encontrar com Jesus, comigo mesmo… Vim também para interceder pela minha gente. O retiro deve fazer-me mais disponível para Deus e para a minha gente. O meu tempo no retiro pertence à minha gente que me deu a oportunidade de entrar em silêncio por um período prolongado de tempo.
Normalmente falamos demais e deixamo-nos levar pelo activismo. Vivemos demasiado ocupados a fazer as coisas do Senhor que nos esquecemos, com frequência, do Senhor das coisas. Encontrar tempo para o Senhor das coisas é um desafio contínuo para o missionário, pois há sempre tanto para fazer! Ele é uma escola em construção; ele é uma comunidade que precisa de ser visitada; ele é um grupo de catecúmenos que precisa de instrução; ele é um doente que espera uma visita; ele é um pobre que vem a pedir ajuda; ele é o escritório que precisa de se actualizar e manter em ordem!!!
Em Lilanda, por exemplo, vivo constantemente rodeado de gente! Se quero encontrar um pouco de silêncio, devo fazê-lo nas horas tranquilas da madrugada onde posso encontrar-me com Aquele que me conduz nas tarefas do dia. Aí escuto a voz do silêncio que me dá força para enfrentar com serenidade e dedicação todas as actividades e situações do dia.
O tempo de retiro é uma oportunidade única para renovar o compromisso com a minha vida de oração e dedicação ao serviço da gente que o Senhor me confiou. É o encontro com Deus, o único que pode fazer com que a minha pregação e o meu testemunho não sejam vazios.
Na capela observo os meus confrades! É extraordinário ver um grupo de homens que vivem normalmente a correr freneticamente de um lado para o outro a ajudar as pessoas, rezando agora em silêncio e ‘inactivos’, escutando o Senhor!
Como missionário sou, muitas vezes, tentado a concluir que fui chamado para “fazer”, agir, falar… Ficar em silêncio é ter a ‘coragem de ser’ nas palavras de Paul Tillich. É um acto de fé, pois sou confrontado com muitas perguntas sobre a razão do meu estar aqui, da minha vocação, dos meus compromissos! No silêncio sou confrontado com a minha própria realidade, com a forma como exercito o meu ministério e com a autenticidade da minha vida diária. É ao som do silêncio que eu oiço a voz interior que me convida sempre a uma maior autenticidade e generosidade na minha entrega. É aqui que me encontro verdadeiramente comigo mesmo. Por isso, às vezes sinto-me perturbado pelo silêncio. Estou demasiado habituado a viver e agir no meio do barulho.
No silêncio entro em contacto com a realidade de mim mesmo, do meu interior, daquilo que sou no mais profundo do meu ser e que não se manifesta nas actividades normais do meu dia-a-dia; no silêncio estou em contacto com a realidade crua das minhas limitações. Mas estou também em contacto com o que de melhor existe em mim: a minha fé, a coragem que me vem de Deus e, sobretudo, a certeza de que Deus está sempre lá em tudo o que faço e digo para anunciar a Boa Nova. Ele está lá em todos os momento da minha vida mesmo quando, no barulho dos momentos difíceis, não consigo senti-lo.

sexta-feira, julho 16, 2010

Quinze anos de Sacerdócio

Hoje, 16 de Julho, é o dia do aniversário da minha ordenação sacerdotal. 15 anos ao serviço da missão como sacerdote missionário comboniano. Ao escrever estas palavras quero exprimir a minha gratidão a Deus e a quantos fizeram e fazem parte da minha história. Por isso, quero recordar o apoio incondicional dos meus pais e irmãos e restantes familiares e amigos que, ao longo destes anos todos sempre estiveram ao meu lado e me encorajaram a ser fiel ao meu sacerdócio.
Este é também um momento para fazer memória de algumas outras pessoas e eventos que marcaram a minha vida como sacerdote. Tiveram uma importância fundamental os primeiros três anos logo a seguir à minha ordenação, passados no Sudão do Sul. Tempos difíceis da guerra, foram marcados sobretudo pelo exemplo e entusiasmo missionário de dois homens que me ensinaram a ser missionário e sacerdote. Falo do P. Elvio Chellana, que já se encontra na casa do Pai, e do Ir. Valentino Fabris que foram para mim exemplos de entusiasmo, serviço, fidelidade, entrega e amor à gente que todos procurámos servir. O Ir. Valentino tem agora 88 anos de idade. Um exemplo de fidelidade ao Senhor a quem serviu, quase sempre no Sudão, desde 1949.
As viagens intermináveis de bicicleta pela floresta densa e verde, são algo que eu recordarei sempre como uma experiencia extraordinária da minha vida. Às vezes difíceis por causa da malária que nos visitava frequentemente como amiga fiel, estas viagens faziam-me sentir perto de Deus e da natureza; faziam-me também sentir muito perto da gente, pois quando visitávamos as aldeias ficávamos sempre várias semanas fora, vivendo no meio da gente e adoptando o seu estilo de vida. Foram anos marcados pelo “encontro” com Deus, com aquela gente simples e pobre (os Azande) e comigo próprio. Estes primeiros anos de sacerdócio lançaram os alicerces da minha vida missionária.
Os anos que se seguiram (1998-2005) passei-os em Portugal e foram marcados essencialmente pelo desejo de voltar à missão. E, embora o meu desejo era de poder voltar ao Sudão, os superiores pediram-me para partir para a Zâmbia, onde me encontro presentemente.
Na Zâmbia, tive a oportunidade de trabalhar em Chikowa, uma missão no interior do país, em muitos aspectos semelhante a Nzara, no Sul do Sudão. E, quando estava já a sentir-me ‘em minha própria casa’ foi-me pedido novamente para partir, desta vez para Lilanda, uma paróquia nos arredores de Lusaka. Esta é uma realidade completamente diferente de todas as outras que eu tinha vivido anteriormente.
Lilanda é um lugar muito especial. A vida da comunidade cristã é marcada pela celebração e pela festa que contrastam com a pobreza generalizada característica dos bairros pobres da cidade. Aqui tenho aprendido a celebrar Deus, o Deus do encontro e da vida! Posso dizer que os cristãos de Lilanda me têm ensinado a ser sacerdote sobretudo pela grande capacidade de colocar tudo nas mãos de Deus e de celebrar a fé.
Ser padre para mim tem sido um caminho de contínua descoberta; descoberta de Deus na oração e no ministério que me foi confiado; descoberta dos valores e da fé daqueles que se têm cruzado comigo ao longo da minha vida; descoberta de mim mesmo e dos dons que o Senhor me tem concedido para o exercício da minha vocação missionária. Descoberta do facto de que nunca estive sozinho nesta bonita aventura de servir a gente na simplicidade e na pobreza da minha pessoa. O Senhor esteve sempre lá! Estiveram lá também tanta gente que, com a sua oração e apoio me têm sustentado no caminho.
Tenho certamente encontrado dificuldades! Mas as dificuldades são parte de qualquer vida digna de ser vivida. Hoje não peço a Deus para as remover do meu caminho, mas a força para continua a servi-Lo com generosidade. Por isso termino esta minha partilha recordando as palavras de Brenda Short:
“Não peças para que a carga da tua vida seja leve,
Mas pela coragem de perseverar;
Não peças pela tua realização pessoal em toda a tua vida,
Mas pela paciência na aceitação da frustração;
Não peças por perfeição em tudo o que fazes,
Mas pela sabedoria para não repetir os mesmos erros;
E, finalmente, não peças por mais nada sem antes dizer
‘Obrigado’ pelo que já recebeste”.
Zikomo kwambiri.

domingo, junho 27, 2010

O Ghana carrega as esperanças do Continente Africano

Mark Gleeson
27 June 2010
Kevin Prince Boateng marca o primeiro golo do Ghana ©Sydney Mahlangu/Backpagepix

Rustenburg – O Ghana tornou-se na terceira equipa Africana na história do Campeonato do Mundo a chegar aos quartos de final com uma vitória dramática de 2-1, no tempo complementar, contra os Estados Unidos no Royal Bafokeng Sports Palace em Rustenburg, no Sábado.
Um pontapé estonteante de Asamoah Gyan arrumou a partida a favor dos Black Stars, mitigando a enorme pressão e dando um impulso enorme ao continente.
O Ghana carregava as esperanças africanas após um desempenho sombrio no torneio na África do Sul pelos outros cinco representantes do continente.
Mas o treinador Milovan Rajevac disse que deixaram todas as pressões para trás quando entraram em campo contra os americanos que entraram confiantes.
O golo de Kevin-Prince, aos cinco minutos, colocou o Ghana em vantagem muito cedo, mas os americanos deram luta, depois de uma primeira parte a meio gás, empatando ao passar dos 60 minutos com a transformação da grande penalidade por Donovan.
Boateng roubou a bola a Ricardo Clark no meio campo e correu disparando para a baliza de fora da área num início perfeito para os Black Stars.
Poderiam ter marcado um segundo golo aos 37 minutos, mas uma defesa do guarda redes Tim Howard negou o golo a Kwadwo Asamoah.
Do outro lado, defesas extraordinárias do guarda redes Richard Kingson mantiveram a vantagem do Ghana intacta contra os americanos que foram lentos na primeira parte enquanto o Ghana dominava o jogo.
Mas eles tiveram as suas oportunidades. Kingson defendeu um remate de Robbie Findley com as pernas a 10 minutos do intervalo e fez uma defesa com uma mão negando o golo ao substituto Benny Feilhaber no início do segundo tempo.
Mas as coisas pareciam estar a virar-se ao contrário para as esperanças do Ghana quando o jovem defesa Jonathan Mensah, aos 62 minutos, proporcionou uma grande penalidade ao derrubar Clint Dempsey.
Donavan disparou para dentro da baliza dando aos americanos um empate justo; de repente encontraram as reservas de energia para encenarem uma das suas habituais corridas no segundo tempo.
O vencedor apareceu do céu num remate longo quando Gyan com um pontapé esquerdino deslumbrante assegurou o encontro com o Uruguai na próxima sexta-feira na Soccer City de Joanesburgo.

sábado, junho 26, 2010

Chimwemwe volta à Escola

Chimwemwe entrou no meu escritório com as lágrimas nos olhos. “Anandipisha ku sukulu”, disse entre soluços. Ao olhá-la nos olhos veio-me à mente o sofrimento de tantas outras crianças órfãs de Lilanda que são constantemente expulsas da escola por não pagarem as propinas. O seu futuro, esse está definitivamente comprometido.
Em Lilanda, como em tantos outros bairros pobres da periferia de Lusaka, há milhares de crianças órfãs que vivem com os avós ou outros familiares. É frequente encontrar uma velhinha com seis ou sete netos órfãos! Como se pode imaginar, encontrar comida e medicamentos quando adoecem, é só por si um pesadelo para estas famílias. O acesso ao ensino torna-se quase impossível para muitas destas crianças. O resultado é que muitas destas crianças não têm a possibilidade de ir à escola e, por isso passam o seu tempo nas ruas sem nada para fazer.
Estou a lembrar-me da senhora Serafina que vive com o seu marido, ambos de idade avançada e que têm ao seu cuidado seis netos, todos eles órfãos. Vivem das ajudas dos vizinhos e dos cristãos da Comunidade Eclesial de Base à qual pertencem. Quando a visitei, há já alguns dias, encontrei-a à porta da sua casita, à sombra de uma mangueira fugindo ao calor escaldante que se fazia sentir. As crianças, brincando, pareciam não ter notado a minha chegada. Foi então que a avó as chamou: “Abambo abwera; apatseni moni!” (Chegou o senhor padre, venham cumprimentá-lo). Foi então que desabafou, tal como Chimwemwe, com as lágrimas nos olhos: “anthu amatithandiza kwambiri pakutipatsa unga, koma sukulu, abambo… sukulu imativuta!” (As pessoas vão-nos ajudando com farinha, mas a escola, padre… a escola é que é o problema!). Como esta família há muitas outras no bairro.
Na nossa Escola Comunitária de S. José, ajudamos cerca de 350 crianças, a maior parte das quais são órfãs e extremamente pobres. Mas a nossa escola é só uma pequena ajuda no mar de necessidades de tantas crianças que não têm a possibilidade de ir à escola. Dois dos meninos da senhora Serafina vão à nossa escola; os mais crescidos têm mais dificuldade, pois a nossa escola é só até ao sétimo ano.
Em Lilanda há muitas outras escolas comunitárias que procuram preencher a lacuna deixada pelo governo que é incapaz de responder às necessidades das populações, sobretudo no que diz respeito à saúde e ao ensino. O resultado é a descriminação que deixa de fora os mais vulneráveis.
O que sempre me impressiona é a enorme vontade que estas crianças têm de ir à escola. Algo que eu nunca vi em Portugal. Procuram todos os meios para o conseguirem e vêm com frequência bater às portas da paróquia. Claro que é impossível ajudar a todos, mas alguns sempre encontram uma resposta, graças à ajuda preciosa de tantos amigos de boa vontade que são generosos na sua partilha com os mais desfavorecidos.
Chimwemwe conseguiu voltar à escola! Os dois meninos da senhora Serafina, também vão à escola. Tantas outras vivem nesta situação de constante incerteza em relação ao seu futuro por não terem ninguém que as ajude! As que o conseguem vêem o seu futuro com um pouco mais de esperança.

Nota: Esta é a história de muitas crianças e famílias de Lilanda. Por isso, “Chimewmwe” e “Serafina” são nomes fictícios.

quarta-feira, junho 23, 2010

Nova Constituição para a Zâmbia

A Comissão Constitucional Nacional (NCC na sua sigla inglesa) divulgou hoje, 22 de Junho, o esboço da tão esperada nova Constituição para que seja sujeito a debate público, noticiou o The Post online. Na apresentação do documento, o presidente da Comissão, Chifumu Banda, fez o convite aos cidadãos para lerem o documento, defendendo que só um debate público sério sobre o mesmo pode melhorar a governação do país. Os cidadãos têm agora 40 dias para comentar o documento.
“A governação desta nação não melhorará por causa das querelas que existem entre nós; melhorará se as nossas instituições forem relevantes e efectivas; e isto só pode ser feito através da Constituição… e pelas leis que dela derivam”, disse Banda.
Ainda segundo o The Post, o documento estará disponível nos três sítios do Secretariado da Governação, uma instituição que faz parte do Ministério da Justiça (http://www.governance.gov.zm/; http://www.parliament.gov.zm/; http://www.ncczambia.org/).
Um particular importante é que, embora o documento não seja traduzido nas línguas locais por falta de fundos, foi já traduzido em Braille.
Alguns artigos que tinham sido propostos para a nova Constituição não fora incluídos, nomeadamente “a rejeição da eleição de um Vice-presidente, a introdução de uma licenciatura como uma das qualificações para candidatos presidenciais, e a recusa da necessidade do sistema de voto 50% mais 1 para a eleição do Presidente”, acrescentou Banda.

terça-feira, junho 22, 2010

Sul do Sudão tem Novo Governo

Drª Anne Itto, Ministra designada para as Cooperativas e Desenvolvimento Rural © JVieira

O Presidente do Sul do Sudão, Salva Kiir Mayardit, anunciou ontem o seu novo governo.
O novo elenco governamental conta com 32 ministros, mais oito que o anterior, e inclui sete mulheres e quatro membros da oposição e uma ministra sem pasta.
Os novos ministérios são Paz e Implementação do Acordo Global de Paz; Investimento; Assuntos Humanitários e Gestão de Catástrofes; Desenvolvimento de Recursos Humanos (desmembrado do Mistério do Trabalho e Serviço Público); Educação Superior, Investigação, Ciência e Tecnologia (que fazia parte da pasta da Educação); Cultura e Património (que estava com o Ministério da Juventude e dos Desportos).
Os ministérios-chave dos Assuntos Internos, Exército com o portfólio dos Veteranos, Finanças e Plano, Trabalho e Serviço Público, Agricultura e Género, Criança e Bem-estar Social continuaram nas mesmas mãos.
Algumas curiosidades: os Assuntos Religiosos desapareceram da pasta do Género e do Bem-estar Social; três ministros vieram do Governo de Unidade Nacional após a remodelação deste.
Salva Kiir premiou o bom desempenho dos oficiais do partido durante as eleições promovendo o secretário-geral e a secretária-geral adjunta para o sector do sul a ministros.
Kiir prometeu entregar 30 por cento dos cargos políticos a mulheres mas neste governo ficou aquém da fasquia. As sete mulheres representam cerca de 21 por cento.
Hoje a secretária-geral adjunta para o sector do sul e ministra das cooperativas e desenvolvimento rural disse à imprensa que o novo governo é o gabinete do referendo.
Anne Itto explicou que o executivo tem cinco prioridades: referendo, boa governação, segurança. Segurança alimentar e eficiência administrativa.
Os novos ministros devem tomar posse amanhã.

quarta-feira, junho 16, 2010

Amigo

            Jesus é meu amigo!
            Que no medo e no perigo
            Me acompanha.
            Está sempre comigo!

                              Às vezes parece que está longe
                              E eu sinto-me abandonado.
                              Mas logo a seguir
                              Sinto sua presença.

           Ele vem comigo,
           Me acompanha, embora escondido.
           E quando o perigo vem
           E se acerca de mim,
           Ele deita-me a mão
           E me sustém.

                               E eu fico reconhecido
                               Porque o meu amigo,
                               Num gesto de amizade profundo
                               Me diz, ‘não tenhas medo,
                               Eu venci o mundo!’.

segunda-feira, junho 14, 2010

Ele veio ao meu encontro

O meu nome é Zaqueu. Creio que me conhecem bem, mas há muita coisa na minha vida que eu tenho guardado só para mim. Sabem, aquele dia com Jesus foi a coisa mais extraordinária que aconteceu na minha vida! Eu era mesmo um safado! Desde jovem que só me preocupava comigo mesmo e fazia tudo para obter o que eu queria, mesmo que tivesse que passar por cima dos outros.
Cobrador de impostos foi a minha profissão de sempre. Ganhava muito dinheiro. Quer dizer, não era bem ganhar, entendem? Nunca me faltou nada na vida. Quer dizer, nunca me faltou dinheiro e tudo o que podia ser obtido através dele. Tinha uma casa bonita, não faltava nada aos meus filhos. Mas bem depressa comecei a ser desprezado pelos outros. E não eram só os estranhos que me desprezavam; eram os vizinhos, os que tinham sido meus amigos e até alguns familiares.
As coisas começaram a complicar-se muito na minha vida. Muitas vezes vinham manifestar-se à minha porta e até chegaram a atirar pedras às janelas. Tudo isso doía muito, pois começaram a atacar também a minha família. Com tudo isto, comecei a viver muito inquieto!
Um dia ouvi falar de um certo Jesus. Eram um homem estranho, diziam. Andava sempre na companhia de pessoas que ninguém queria por perto. Ao ouvir falar dele, comecei a sentir um desejo grande de o conhecer e tentei várias vezes encontrar-me com ele, mas foi muito difícil! Havia sempre alguém que me impedia de chegar até ele. Mas o desejo de o conhecer crescia cada vez mais dentro de mim.
Um dia ouvi dizer que ele estava para passar lá, na rua onde eu trabalhava. Vi muita gente que se aproximava e pensei logo que fosse ele, pois havia sempre muita gente atrás dele. Embora eu tivesse perdido a esperança de chegar perto dele, pelos menos decidi vê-lo nem que fosse de longe. Então subi a uma árvore; coisa que só os miúdos fazem, mas eu não me importei. Trepei a uma árvore e consegui vê-lo de longe. Mas, para minha surpresa, Jesus viu-me e chamou-me! Eu acho que muita gente ficou surpreendida tal como eu. Eu não cabia em mim de contente!
O que se passou a seguir vocês já o sabem. O que não sabem é que aquele encontro com Jesus virou a minha vida do avesso. Só de imaginar que Jesus tinha a coragem de vir a minha casa fez-me acelerar o coração!
Naquele dia chorei. Jesus sabia muito bem com quem se tinha metido. Mas nunca me dirigiu uma palavra de recriminação nem me julgou pelos meus disparates. Muitos dos pobres que eu tinha explorado estavam ali, juntamente com Jesus, em minha casa! Ao ver essa gente, o meu corpo tremia. Comecei a perceber como eu os tinha magoado tanto! Mas nenhum deles me acusou de nada! Pareciam estar contentes por estar comigo.
Agora, enquanto conto a minha história, as lágrimas correm-me no rosto; lágrimas de alegria, claro! Sei que muitos de vocês que estão a ler a minha história, mesmo sem serem cobradores de impostos, têm sentido a condenação dos outros por causa dos vossos disparates. Mesmo aquele a quem pedi para escrever estas palavras… Ele partilhou comigo que sente muita simpatia para comigo. Não sei se é por causa da sua estatura ou pelos disparates… Mas sabem, ele disse-me que (isto é segredo!) também ele se encontrou um dia com Jesus! E que Jesus nunca o acusou de nada! Tenho quase a certeza de que também vocês têm experimentado o que significa ser acolhido e amado apesar de todos os disparates.
Mas, voltando à minha história. Nunca pensei que algum dia pudesse chegar tão perto de Jesus. E quando todos tentaram manter-me longe dele, ele veio ao meu encontro. E isso fez toda a diferença.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...