sábado, junho 26, 2010

Chimwemwe volta à Escola

Chimwemwe entrou no meu escritório com as lágrimas nos olhos. “Anandipisha ku sukulu”, disse entre soluços. Ao olhá-la nos olhos veio-me à mente o sofrimento de tantas outras crianças órfãs de Lilanda que são constantemente expulsas da escola por não pagarem as propinas. O seu futuro, esse está definitivamente comprometido.
Em Lilanda, como em tantos outros bairros pobres da periferia de Lusaka, há milhares de crianças órfãs que vivem com os avós ou outros familiares. É frequente encontrar uma velhinha com seis ou sete netos órfãos! Como se pode imaginar, encontrar comida e medicamentos quando adoecem, é só por si um pesadelo para estas famílias. O acesso ao ensino torna-se quase impossível para muitas destas crianças. O resultado é que muitas destas crianças não têm a possibilidade de ir à escola e, por isso passam o seu tempo nas ruas sem nada para fazer.
Estou a lembrar-me da senhora Serafina que vive com o seu marido, ambos de idade avançada e que têm ao seu cuidado seis netos, todos eles órfãos. Vivem das ajudas dos vizinhos e dos cristãos da Comunidade Eclesial de Base à qual pertencem. Quando a visitei, há já alguns dias, encontrei-a à porta da sua casita, à sombra de uma mangueira fugindo ao calor escaldante que se fazia sentir. As crianças, brincando, pareciam não ter notado a minha chegada. Foi então que a avó as chamou: “Abambo abwera; apatseni moni!” (Chegou o senhor padre, venham cumprimentá-lo). Foi então que desabafou, tal como Chimwemwe, com as lágrimas nos olhos: “anthu amatithandiza kwambiri pakutipatsa unga, koma sukulu, abambo… sukulu imativuta!” (As pessoas vão-nos ajudando com farinha, mas a escola, padre… a escola é que é o problema!). Como esta família há muitas outras no bairro.
Na nossa Escola Comunitária de S. José, ajudamos cerca de 350 crianças, a maior parte das quais são órfãs e extremamente pobres. Mas a nossa escola é só uma pequena ajuda no mar de necessidades de tantas crianças que não têm a possibilidade de ir à escola. Dois dos meninos da senhora Serafina vão à nossa escola; os mais crescidos têm mais dificuldade, pois a nossa escola é só até ao sétimo ano.
Em Lilanda há muitas outras escolas comunitárias que procuram preencher a lacuna deixada pelo governo que é incapaz de responder às necessidades das populações, sobretudo no que diz respeito à saúde e ao ensino. O resultado é a descriminação que deixa de fora os mais vulneráveis.
O que sempre me impressiona é a enorme vontade que estas crianças têm de ir à escola. Algo que eu nunca vi em Portugal. Procuram todos os meios para o conseguirem e vêm com frequência bater às portas da paróquia. Claro que é impossível ajudar a todos, mas alguns sempre encontram uma resposta, graças à ajuda preciosa de tantos amigos de boa vontade que são generosos na sua partilha com os mais desfavorecidos.
Chimwemwe conseguiu voltar à escola! Os dois meninos da senhora Serafina, também vão à escola. Tantas outras vivem nesta situação de constante incerteza em relação ao seu futuro por não terem ninguém que as ajude! As que o conseguem vêem o seu futuro com um pouco mais de esperança.

Nota: Esta é a história de muitas crianças e famílias de Lilanda. Por isso, “Chimewmwe” e “Serafina” são nomes fictícios.

quarta-feira, junho 23, 2010

Nova Constituição para a Zâmbia

A Comissão Constitucional Nacional (NCC na sua sigla inglesa) divulgou hoje, 22 de Junho, o esboço da tão esperada nova Constituição para que seja sujeito a debate público, noticiou o The Post online. Na apresentação do documento, o presidente da Comissão, Chifumu Banda, fez o convite aos cidadãos para lerem o documento, defendendo que só um debate público sério sobre o mesmo pode melhorar a governação do país. Os cidadãos têm agora 40 dias para comentar o documento.
“A governação desta nação não melhorará por causa das querelas que existem entre nós; melhorará se as nossas instituições forem relevantes e efectivas; e isto só pode ser feito através da Constituição… e pelas leis que dela derivam”, disse Banda.
Ainda segundo o The Post, o documento estará disponível nos três sítios do Secretariado da Governação, uma instituição que faz parte do Ministério da Justiça (http://www.governance.gov.zm/; http://www.parliament.gov.zm/; http://www.ncczambia.org/).
Um particular importante é que, embora o documento não seja traduzido nas línguas locais por falta de fundos, foi já traduzido em Braille.
Alguns artigos que tinham sido propostos para a nova Constituição não fora incluídos, nomeadamente “a rejeição da eleição de um Vice-presidente, a introdução de uma licenciatura como uma das qualificações para candidatos presidenciais, e a recusa da necessidade do sistema de voto 50% mais 1 para a eleição do Presidente”, acrescentou Banda.

terça-feira, junho 22, 2010

Sul do Sudão tem Novo Governo

Drª Anne Itto, Ministra designada para as Cooperativas e Desenvolvimento Rural © JVieira

O Presidente do Sul do Sudão, Salva Kiir Mayardit, anunciou ontem o seu novo governo.
O novo elenco governamental conta com 32 ministros, mais oito que o anterior, e inclui sete mulheres e quatro membros da oposição e uma ministra sem pasta.
Os novos ministérios são Paz e Implementação do Acordo Global de Paz; Investimento; Assuntos Humanitários e Gestão de Catástrofes; Desenvolvimento de Recursos Humanos (desmembrado do Mistério do Trabalho e Serviço Público); Educação Superior, Investigação, Ciência e Tecnologia (que fazia parte da pasta da Educação); Cultura e Património (que estava com o Ministério da Juventude e dos Desportos).
Os ministérios-chave dos Assuntos Internos, Exército com o portfólio dos Veteranos, Finanças e Plano, Trabalho e Serviço Público, Agricultura e Género, Criança e Bem-estar Social continuaram nas mesmas mãos.
Algumas curiosidades: os Assuntos Religiosos desapareceram da pasta do Género e do Bem-estar Social; três ministros vieram do Governo de Unidade Nacional após a remodelação deste.
Salva Kiir premiou o bom desempenho dos oficiais do partido durante as eleições promovendo o secretário-geral e a secretária-geral adjunta para o sector do sul a ministros.
Kiir prometeu entregar 30 por cento dos cargos políticos a mulheres mas neste governo ficou aquém da fasquia. As sete mulheres representam cerca de 21 por cento.
Hoje a secretária-geral adjunta para o sector do sul e ministra das cooperativas e desenvolvimento rural disse à imprensa que o novo governo é o gabinete do referendo.
Anne Itto explicou que o executivo tem cinco prioridades: referendo, boa governação, segurança. Segurança alimentar e eficiência administrativa.
Os novos ministros devem tomar posse amanhã.

quarta-feira, junho 16, 2010

Amigo

            Jesus é meu amigo!
            Que no medo e no perigo
            Me acompanha.
            Está sempre comigo!

                              Às vezes parece que está longe
                              E eu sinto-me abandonado.
                              Mas logo a seguir
                              Sinto sua presença.

           Ele vem comigo,
           Me acompanha, embora escondido.
           E quando o perigo vem
           E se acerca de mim,
           Ele deita-me a mão
           E me sustém.

                               E eu fico reconhecido
                               Porque o meu amigo,
                               Num gesto de amizade profundo
                               Me diz, ‘não tenhas medo,
                               Eu venci o mundo!’.

segunda-feira, junho 14, 2010

Ele veio ao meu encontro

O meu nome é Zaqueu. Creio que me conhecem bem, mas há muita coisa na minha vida que eu tenho guardado só para mim. Sabem, aquele dia com Jesus foi a coisa mais extraordinária que aconteceu na minha vida! Eu era mesmo um safado! Desde jovem que só me preocupava comigo mesmo e fazia tudo para obter o que eu queria, mesmo que tivesse que passar por cima dos outros.
Cobrador de impostos foi a minha profissão de sempre. Ganhava muito dinheiro. Quer dizer, não era bem ganhar, entendem? Nunca me faltou nada na vida. Quer dizer, nunca me faltou dinheiro e tudo o que podia ser obtido através dele. Tinha uma casa bonita, não faltava nada aos meus filhos. Mas bem depressa comecei a ser desprezado pelos outros. E não eram só os estranhos que me desprezavam; eram os vizinhos, os que tinham sido meus amigos e até alguns familiares.
As coisas começaram a complicar-se muito na minha vida. Muitas vezes vinham manifestar-se à minha porta e até chegaram a atirar pedras às janelas. Tudo isso doía muito, pois começaram a atacar também a minha família. Com tudo isto, comecei a viver muito inquieto!
Um dia ouvi falar de um certo Jesus. Eram um homem estranho, diziam. Andava sempre na companhia de pessoas que ninguém queria por perto. Ao ouvir falar dele, comecei a sentir um desejo grande de o conhecer e tentei várias vezes encontrar-me com ele, mas foi muito difícil! Havia sempre alguém que me impedia de chegar até ele. Mas o desejo de o conhecer crescia cada vez mais dentro de mim.
Um dia ouvi dizer que ele estava para passar lá, na rua onde eu trabalhava. Vi muita gente que se aproximava e pensei logo que fosse ele, pois havia sempre muita gente atrás dele. Embora eu tivesse perdido a esperança de chegar perto dele, pelos menos decidi vê-lo nem que fosse de longe. Então subi a uma árvore; coisa que só os miúdos fazem, mas eu não me importei. Trepei a uma árvore e consegui vê-lo de longe. Mas, para minha surpresa, Jesus viu-me e chamou-me! Eu acho que muita gente ficou surpreendida tal como eu. Eu não cabia em mim de contente!
O que se passou a seguir vocês já o sabem. O que não sabem é que aquele encontro com Jesus virou a minha vida do avesso. Só de imaginar que Jesus tinha a coragem de vir a minha casa fez-me acelerar o coração!
Naquele dia chorei. Jesus sabia muito bem com quem se tinha metido. Mas nunca me dirigiu uma palavra de recriminação nem me julgou pelos meus disparates. Muitos dos pobres que eu tinha explorado estavam ali, juntamente com Jesus, em minha casa! Ao ver essa gente, o meu corpo tremia. Comecei a perceber como eu os tinha magoado tanto! Mas nenhum deles me acusou de nada! Pareciam estar contentes por estar comigo.
Agora, enquanto conto a minha história, as lágrimas correm-me no rosto; lágrimas de alegria, claro! Sei que muitos de vocês que estão a ler a minha história, mesmo sem serem cobradores de impostos, têm sentido a condenação dos outros por causa dos vossos disparates. Mesmo aquele a quem pedi para escrever estas palavras… Ele partilhou comigo que sente muita simpatia para comigo. Não sei se é por causa da sua estatura ou pelos disparates… Mas sabem, ele disse-me que (isto é segredo!) também ele se encontrou um dia com Jesus! E que Jesus nunca o acusou de nada! Tenho quase a certeza de que também vocês têm experimentado o que significa ser acolhido e amado apesar de todos os disparates.
Mas, voltando à minha história. Nunca pensei que algum dia pudesse chegar tão perto de Jesus. E quando todos tentaram manter-me longe dele, ele veio ao meu encontro. E isso fez toda a diferença.

domingo, junho 13, 2010

Mundial ao Contrário

Este apelo foi traduzido do sítio das Missionárias Combonianas Combonifem. É um apelo enviado à embaixadora da Africa do Sul na Itália, tendo como primeiro assinante o P. Alex Zanotelli, missionário comboniano, a favor dos pobres na África do Sul e dos movimentos que procuram defender os seus direitos. A campanha pretende recolher o maior número possível de assinaturas até ao dia 20 de Junho.

Sua Excelência, Embaixadora Thenjiwe Mtintso, somos associações, movimentos de base, cidadãos particulares. Todos carregamos no coração a história da África do Sul, a grande luta dos movimentos de libertação que aí se desenvolveram nas últimas décadas e o destino das populações oprimidas que foram protagonistas dessas lutas. Consideramos que é fundamental para a construção da nova África do Sul a promoção dos direitos e do papel social e político dos pobres.
Estamos particularmente preocupados com o tratamento dado aos habitantes dos bairros de lata e dos vendedores de rua por ocasião do Campeonato do mundo de Futebol. Os habitantes dos bairros de lata são despejados à força de suas casas e obrigados a viver em “transit camps”, enquanto aos vendedores de rua foi proibido vender as suas mercadorias enquanto durar o Campeonato do mundo. Aos pobres não lhes foi concedida a possibilidade de participar na construção de um percurso comum que conduzisse ao Campeonato do mundo. Ao contrário o Campeonato do mundo tornou-se numa oportunidade para reestruturar as cidades segundo critérios que favorecem somente a elite. Os pobres são atirados fora, longe dos olhos dos turistas e dos jornalistas. Por outro lado, as medidas de segurança adoptadas nos Mundiais limitam fortemente o direito que os cidadãos têm de exprimir democraticamente a dissidência em relação a este estado de coisas.
O movimento de base Abahlali base Mjondolo, construindo todos os dias uma democracia real, directa e participada, tem procurado opor-se a tudo isto desde há anos e luta pelo resgate dos mais pobres, pelo direito à terra, a casa, aos serviços básicos e a uma existência digna. Nós partilhamos das lutas deste extraordinário movimento e estamos do seu lado.
O movimento tem sido objecto de acções de repressão e de ataques violentos, o mais grave dos quais em Setembro de 2009 na ocupação espontânea da Kennedy Road em Durban, por dezenas de pessoas armadas, e que causou alguns mortos, a destruição de casas e bens de membros da Abahlali e a fuga de muitos deles para escaparem à violência. Apesar disso, detiveram 13 pessoas de entre as vítimas do ataque. Abahlali base Mjondolo e muitos observadores entre os quais alguns líderes religiosos, associações, ONG’s, académicos e simples cidadãos denunciando o papel ambíguo desenvolvido pela polícia local e pelos dirigentes locais do Anfrican National Congress (ANC). Estes últimos declararam à imprensa que a ocupação da Kennedy Road tinha sido “dispersada”.
No dia 31 de Maio, uma delegação de Abahlali, que se encontrava na Itália no decurso da campanha Mundial ao contrário (Mondiale al contrario), foi recebida na embaixada sul-africana em Roma. Durante o encontro foi pedido que a sua embaixada se fizesse porta-voz das exigências do movimento diante do governo sul-africano. Também nós fazemos nossas as exigências de Abahlali base Mjondolo e, por seu intermédio, pedimos às autoridades sul-africanas:
• Que o presidente Jacob Zuma responda ao memorando apresentado pela Abahlali base Mjondolo no dia 22 de Março 2010;
• Que os “transit camps” sejam abolidos e que os pobres possam ter pleno direito a viver na cidade;
• Que seja instituída uma comissão credível e independente para investigar os eventos ocorridos na Kennedy Road em Setembro de 2009;
• Que sejam imediatamente postos em liberdade Khaliphile Jali, Stutu Koyi, Zandisile Ngutshana, Siyabulela Mambi e Samukeliso Mkhokhelwa, as cinco pessoas ainda detidas injustamente em Westville no seguimento do ataque a Kennedy Road e ainda não informadas, 9 meses depois, sobre as motivações da sua detenção;
• Que as autoridades sul-africanas nacionais e locais se empenhem e garantam o pluralismo político e o direito de associação e de expressão da dissidência em todas as ocupações informais assim como nas cidades interessadas nas manifestações desportivas do Campeonato do mundo.
Certos de que quererá dar ao nosso apelo o peso que merece, apresentamos-lhe saudações especiais.
Pode-se enviar, até 20 de Junho, a adesão própria para carta@carta.org  com assunto “Adesione appelo Sudafrica”, indicando nome e sobrenome, cidade, eventual qualificação profissional e/ou organização à qual pertence. O número e os nomes dos aderentes serão apresentados nas páginas Web de Carta. Será transmitido regularmente à Embaixada da África do Sul um relatório sobre o andamento da recolha de adesões.

quinta-feira, junho 10, 2010

Os macacos que salvaram os peixes

A estação das chuvas naquele ano foi das piores de todos os tempos e o rio transbordou. Havia inundações por todo o lado e os animais fugiam para os montes. As águas corriam tão velozmente que muitos animais se afogaram, excepto os macacos sortudos que usavam a sua agilidade para trepar às árvores. Olhavam para baixo para a superfície das águas onde havia peixes a nadar, saltando na água como se fossem as únicas criaturas que estavam felizes com as inundações destruidoras.
Um dos macacos viu os peixes e gritou para o seu companheiro, “Olha para baixo, meu amigo, olha para aquelas pobres criaturas. Vão-se afogar. Vês como andam aflitos na água?”
“Sim”, disse o outro macaco. “Que pena! Provavelmente atrasaram-se a fugir para os montes; pois parece que não têm pernas. Como é que poderemos salvá-los?”
“Acho que devemos fazer alguma coisa. Vamos para mais perto da inundação onde a água não é muito profunda e podemos ajudá-los a sair da água para fora.”
Se assim o disseram, melhor o fizeram. Começaram a apanhar peixe, embora com muita dificuldade. Um a um, tiraram-nos da água e puseram-nos cuidadosamente em terra seca. Algum tempo depois havia uma quantidade enorme de peixe estendidos na erva, sem se mexer. Um dos macacos disse, “Estás a ver? Estão cansados, estão a dormir para repousaram um pouco. Se não fossemos nós, meu amigo, toda esta pobre gente sem pernas se teria afogado.”
“Tentaram fugir de nós,” disse o outro macaco, “porque não estavam a entender as nossas boas intenções. Mas quando acordarem vão ficar muito agradecidos porque os salvámos.”
(História Tradicional da Tanzânia)


segunda-feira, junho 07, 2010

Jesus saíu à rua

O Calendário Litúrgico da Igreja proporciona momentos de celebração que envolvem os cristãos de forma muito intensa. Nestes momentos, os cristãos sentem-se mais perto de Deus e, até os que normalmente não praticam, aparecem e juntam-se às multidões que exprimem a sua fé de forma mais activa. O dia do Corpo de Deus é um desses momentos. Em toda a Igreja este dia é revestido de um significado particular por ser a celebração da presença de Deus entre nós através da Eucaristia. Em Lilanda esta celebração é particularmente cheia de movimento e de cor. Assim foi ontem, dia do Corpo de Deus aqui em Lilanda.
Depois da celebração da Eucaristia em que a igreja paroquial se tornou pequena para tanta gente, saímos à rua para a procissão do Corpo de Deus. O percurso foi feito, como habitualmente, através de seis das vinte e quatro Comunidades Eclesiais de Base, com paragem obrigatória em cada uma delas. Cada comunidade preparou antecipadamente uma tenda onde acolheram os seus doentes. À passagem, todos parámos uns momentos para rezar pelos doentes e lhes dar a comunhão. Depois, receberam a bênção do Santíssimo. Foi um momento muito intenso para estes doentes. De facto, o Senhor, como nos seus dias da Galileia, vem ao seu encontro e lhes faz sentir que está perto e se preocupa com eles.
Os cânticos de alegria, acompanhados pelo som dos tambores e pelas danças dos participantes, davam vida e exprimiam a alegria e o entusiasmo dos cristãos por poderem exprimir a sua fé também diante dos que não acreditam. Jesus saiu à rua mais uma vez e atraiu as multidões que o acompanharam ou se juntaram para o ver passar.
Os movimentos apostólicos da paróquia, com as suas cores características davam um aspecto festivo à procissão. À multidão de vários milhares de católicos que tomaram parte na procissão, juntaram-se muitas outras pessoas, incluindo não católicos e não cristãos que, movidos pela curiosidade ou por algo mais profundo, enchiam as ruas do bairro. Todos queriam ver o Senhor passar. E aqueles que, por qualquer motivo, não O conseguiam ver, recorriam à estratégia de Zaqueu, para que a multidão não os impedisse.
A Celebração terminou no recinto da paróquia com um momento de silêncio e adoração.

quarta-feira, junho 02, 2010

Governo da Zâmbia ataca a Igreja Católica

O governo da Zâmbia iniciou uma investida contra a Igreja Católica por esta, alegadamente, se ter colocado do lado da oposição na crítica ao governo. Na quarta-feira, 2 de Junho, o jornal diário The Post publicou uma notícia relativa a mais uma entrevista dada pelo arcebispo de Lusaka D. Telesphore George Mpundu que tem estado na vanguarda nas críticas ao governo.
“O arcebispo Mpundu declarou que a Igreja Católica não será intimidada mesmo se ela tem sido considerada como a maior ameaça à busca de poder absoluto por parte do poder político”, afirma o The Post, que é o jornal independente de maior relevo no país.
A polémica criada à volta da Igreja Católica foi reacendida pelo antigo presidente da Zâmbia Frederick Chiluba, quando há cerca de três meses, acusou a Igreja de ter uma agenda política e de querer derrubar o governo. Fez também um ataque pessoal ao arcebispo de Lusaka na tentativa de denegrir o seu bom nome e o bom nome da Igreja.
Desde essa altura, os ataques do governo têm-se repetido e intensificado. Mas a “Igreja não deixará de se colocar do lado dos pobres e dos sem voz,” afirma o arcebispo.
“O ódio contra os católicos tem a sua origem na percepção errada de que o Arcebispo Mpundu tem ambições políticas e que a Igreja Católica tem uma agenda política e quer governar esta nação,” afirma o referido artigo.
Nas palavras do arcebispo, “os líderes da Igreja Católica, juntamente com os fiéis, continuarão a promover a Doutrina Social da Igreja e o bem comum de todos, particularmente dos pobres, dos fracos e dos sem voz. Ela não se deixará intimidar”.
Enviando também as suas críticas aos meios de comunicação social locais, o arcebispo afirmou que eles não “devem ser instrumentos de propaganda dos que exercem o poder”. Os sucessivos governos têm despojado os meios de comunicação da sua independência e liberdade de expressão.

domingo, maio 23, 2010

O Chacal espertalhão

“Auú, auú, auú, meus meninos,” disse Gogo. “Sabem, esperteza é uma coisa muito importante que todas as pessoas devem ter! É que a esperteza ajudou Nogwaja uma vez a sair do caldeirão!”
“O chacal também é um animal muito esperto, não é Gogo?” perguntou o pequeno Sipho, que era muito orgulhoso da sua alcunha Mpungushe (mpoo-ngoo-she = chacal). A verdade é que Gogo lhe tinha dado aquele nome por causa de um grande grito que ele deu quando ainda era bebé. Sipho gostava de se convencer a si próprio de que era tão ágil e rápido como o chacal.
Gogo deu uma gargalhada e, olhando para o miúdo disse: “Sim, meu rapaz! Tens razão! O chacal é um animal muito esperto. Às vezes até é esperto de mais”.
“Lembro-me como ele ajudou Jabu, o pequeno pastor, fazendo com que Bhubesi voltasse a cair na armadilha. Gogo, conta-nos mais uma história sobre o Chacal”, suplicou Sipho. “Sim, Gogo,” pediram em coro os outros netos. “Por favor, conta-nos…”
“Está bem, meus meninos. Mas escutai e aprendei!” Gogo acomodou-se. “Kwsuka sukela…”
Era uma vez um chacal que caminhava apressado por um carreiro estreito entre as rochas. Como de costume, mantinha o seu focinho junto ao chão e farejava. “Nunca se sabe quando terei a minha próxima refeição,” pensava consigo próprio, embora fosse pouco provável que encontrasse algum rato no calor do meio-dia. Mas talvez pudesse apanhar uma lagartixa ou duas.
De repente apercebeu-se de algum barulho à sua frente no carreiro. “Oh! não!” Chacal murmurou parando imediatamente. O senhor Leão vinha a caminhar na sua direcção. Apercebendo-se de que estava demasiado próximo para escapar, Chacal ficou aterrorizado. Já tinha pregado tantas partidas ao grande Bhubesi no passado, que tinha quase a certeza de que o leão iria aproveitar para se vingar. Num instante, Chacal pensou num plano.
“Socorro! Socorro!” gritou o Chacal. Agachou-se, olhando para as rochas acima dele. O Leão parou surpreendido.
“Socorro!” O Chacal uivou, usando o medo que sentia no seu peito para dar ainda mais força ao seu grito. Chacal deu uma olhadela a Bhubesi. “Ó grande Nkosi! Socorro! Não há tempo a perder! Vês aquelas grandes rochas lá em cima! Estão mesmo a cair! Vamos ambos ser esmagados!!! Ó grande Leão, faz qualquer coisa! Salva-nos! Chacal agachou-se ainda mais com medo, cobrindo a sua cabeça com as patas.
O Leão olhou para cima, muito alarmado. Mesmo antes de ele ter oportunidade de começar a pensar, o Chacal começou a implorar-lhe que usasse a sua força para segurar a grande rocha que parecia estar para cair. Então o Leão encostou o seu ombro acastanhado contra a rocha e começou a puxar para cima.
“Oh! muito obrigado, grande Rei!” uivou o Chacal. “Eu vou depressa buscar aquele tronco ali em baixo para colocar debaixo da rocha, e ambos estaremos salvos!”
Num instante, o Chacal desapareceu. O Leão ficou ali sozinho aflito debaixo da rocha firme. O tempo que ele ficou ali, antes de dar conta que este era mais um truque, nunca o saberemos. Mas, uma coisa sabemos: o Chacal continuou a viver divido às suas habilidades.
História tradicional Zulu

quarta-feira, maio 19, 2010

Novos desafios

 Kanyanga é a nova missão confiada aos Missionários Combonianos na Zâmbia. Fica situada no vale do Rio Luangwa, numa zona remota do país, a cerca de 820 km de Lusaka, habitada por gente extremamente pobre. O trabalho missionário aí desenvolvido é essencialmente de primeira evangelização e desenvolvimento social.
Esta missão fora iniciada pelos Padres Brancos em 1954, mas posteriormente abandonada, durante muitos anos, por falta de pessoal. A sua gente em geral e os cristãos em particular, vêem agora, com esperança, o início de uma nova era.
A comunidade comboniana de Kanyanga foi oficialmente aberta no sábado, 1 de Maio e a entrega da missão aos Missionários Combonianos foi feita no dia seguinte. Formam a nova comunidade os padres Rodolfo Coaquira (peruviano) e Rúben Bojorquez (mexicano). O P. Dário Chaves, superior dos Missionários Combonianos no Malawi/Zâmbia, esteve presente na abertura da nova comunidade e na passagem do testemunho.
Em Kanyanga existe também um pequeno hospital dirigido por uma congregação missionária que já se encontrava aí, antes da chegada dos Missionários Combonianos.
“Sabemos que temos muitos desafios pela frente,” dizia-me o P. Rúben, “mas estou muito contente por ter sido enviado para aqui”. De facto, os desafios são enormes, pois não há infra-estruturas, estradas, electricidade, etc. Por isso, sobretudo na estação das chuvas, a actividade missionária é muito limitada. Mas isso não incomoda os dois missionários, que iniciaram já a visita porta a porta aos cerca de sete mil cristãos que formam as comunidades cristãs de Kanyanga.
Apesar de todos os desafios, há sempre muito trabalho que fazer. Mas, “o mais importante,” dizia o P. Rúben, “é gastar o nosso tempo e a nossa vida com esta gente.”
O missionário não pode perder o espírito de aventura que caracteriza o voto de obediência. Partir para situações sempre novas com a convicção de que é aí que o Senhor nos quer. Boa missão para o Rúben e o Rodolfo. Um destes dias, quem sabe, vou juntar-me à comitiva!


segunda-feira, maio 17, 2010

Na paz de Jesus

Quando o senhor Nsofwa me veio chamar para ir visitar Albert Banda que, segundo ele, estava para morrer, partimos imediatamente. Eram três da tarde e fazia muito calor! Ponho o meu boné e pego na mochila. Eram só cerca de quinze minutos a pé para chegar à pequena casa onde Albert vivia com a sua esposa Judith e os seus dois filhos pequenos.
Ao entrar na pequena casa, vi-o deitado, no sofá velho e gasto, muito agitado e repetindo palavras que ninguém podia perceber. Movia-se continuamente e respirava com muita dificuldade! O sofrimento era bem visível no seu rosto. Fiquei em silêncio por alguns momentos. Para dizer a verdade, não sabia que dizer. Percebi que estava para morrer.
Rezámos juntos durante alguns momentos. Mas o silêncio parecia ser a única oração com sentido. Albert continuava muito agitado.
Enquanto rezávamos, os meus olhos percorriam o pequeno quarto, meio escuro, em que nos encontrávamos. A pouca luz que havia, passava por uma pequena janela sem vidros, mesmo junto ao lugar onde Albert se encontrava. Os meus olhos pousaram em Judith, a sua esposa que, sentada no chão, permanecia em silêncio com as lágrimas nos olhos.
Quando lhe peguei nas mãos para o ungir com o óleo dos enfermos, Albert ficou em silêncio. Depois, recebeu a comunhão com muita dificuldade ajudado por um pouco de água que lhe foi dada numa caneca de plástico azul que Rosária, a mãe de Judith, lhe trouxera. Algo extraordinário aconteceu. De repente, Albert parecia ter recuperado uma paz profunda: olhou para mim, começou a respirar normalmente, em silêncio, e ficou sossegado.
“Zikomo abambo” dizia Judith ao despedir-se de mim, “munamletera mtendere wa Yesu.” (Obrigado, padre, trouxeste-lhe a paz de Jesus). Parti com lágrimas nos olhos e um nó na garganta. Albert, Judith e os seus dois filhos pequenos no pensamento. Uma semana depois Albert morria… sereno!
Albert pertencia a uma família de políticos que, nunca quiseram saber dele enquanto esteve doente. Na altura do funeral não deixaram que a comunidade cristã organizasse o funeral religioso, contrário à prática dos crentes, não só aqui na paróquia de Lilanda mas na Zâmbia em geral. Por isso, não deixaram que o corpo viesse à igreja.
Quatro ou cinco dias depois do funeral, Judith, agora viúva, entrou no meu escritório com as lágrimas nos olhos. Os olhos inchados mostravam as consequências de várias noites sem dormir e muitas lágrimas derramadas. Para os crentes, não realizar a vontade de alguém que morre é assunto muito sério. E Albert era um homem de muita fé que, mesmo no pico da sua doença, só com muita dificuldade deixava de vir à igreja. Esperava certamente um funeral cristão!
Depois de me explicar como tinha decorrido o funeral, e como os parentes do marido não quiseram ter nada que ver com a igreja, Judith manifestou o desejo de fazer algo para que o seu marido, e ela também, estivessem em paz com Deus, uma vez que ele manifestara o desejo de ter um funeral cristão.
Então sugeri que celebrássemos a missa por ele e que alguns dos ritos fossem também celebrados. São de particular importância os discursos que se fazem para dar a conhecer a vida do defunto, sobretudo a sua vida cristã. Assim ficou combinado. Celebrámos o seu funeral na igreja mesmo se ele já não estava lá. Judith e os seus dois meninos ficaram contentes e em paz.

terça-feira, maio 04, 2010

O Crocodilo Mágico

Quero que Zikomo seja também um espaço de divulgação da cultura africana. Por isso, inicio aqui a publicação de algumas histórias e provérbios africanos. Algumas destas histórias são traduzidas do site da revista comboniana New People, que é publicada em Nairobi, Quénia. Estas histórias e provérbios contêm uma sabedoria que se está a perder na nossa cultura ocidental. Creio que todos podemos aprender muito da cultura oral africana.


O crocodilo mágico
Era uma vez uma caverna. Estava dividida em duas partes, a parte de cima era seca e a parte de baixo tinha água. Na parte de baixo vivia um crocodilo. O crocodilo não vivia sozinho na caverna, pois havia vários animais que viviam lá. Viviam todos na parte seca da caverna e havia também várias outras criaturas que viviam na parte que estava cheia de água. O crocodilo passava a maior parte do seu tempo na água, mas às vezes saía da caverna para um passeio.
Um certo dia um caçador aproximou-se da caverna à procura de animais. Então viu o crocodilo a descansar ao sol à entrada da caverna. O caçador apontou o seu arco e flecha ao crocodilo, mas ficou imediatamente cego. Quando o caçador deixou cair a sua flecha do arco os seus olhos abriram-se novamente. Então viu o crocodilo rir-se com prazer por causa da esperteza do seu truque.
O caçador não ficou ali muito tempo, mas correu para sua aldeia e contou a toda a gente o que se tinha passado. “Quando apontei a minha flecha ao crocodilo fiquei cego”, disse o caçador. Toda a gente na aldeia ficou muito eufórica e, quase metade dos aldeãos, pegaram nos seus arcos e flechas e correram para a caverna.
“Vamos caçar o crocodilo” gritaram em coro. Quando os aldeãos chegaram perto da caverna viram o crocodilo no mesmo lugar onde o caçador o tinha visto, a descansar ao sol à porta da caverna. Quando começaram a apontar os seus arcos e flechas ao crocodilo, ficaram cegos. “Tirai as vossas flechas dos arcos”, disse o caçador. Quando o fizeram, os olhos dos aldeãos começaram a ver novamente.
“Nenhum homem me pode fazer mal”, gritou o crocodilo, virando-se para os aldeãos. O crocodilo saiu do seu lugar e entrou na caverna onde todos os animais o elogiaram por os ter protegido.
“Viveremos as nossas vidas na nossa aldeia”, disseram os aldeãos ao regressarem a casa desiludidos. “Aquele crocodilo ficará na caverna. Não podemos fazer nada para mudar isto”. Mas alguns jovens não ficaram muito satisfeitos. De vez em quando, um jovem corajoso tentava voltar à caverna determinado a matar o crocodilo, mas nunca o conseguiram.
“Ficai cegos com os vossos arcos e flechas,” disse o crocodilo. Naquele tempo, nem o crocodilo nem os aldeãos tinham alguma vez ouvido falar de espingardas.

segunda-feira, abril 19, 2010

Pior Surto de Cólera dos Últimos Anos em Lusaka

Em Lusaka, a capital da Zâmbia, está a assistir-se ao pior surto de Cólera dos últimos anos. São os Médicos Sem Fronteiras que o afirmam num comunicado à imprensa datado de 12 de Abril de 2010. Segundo esse comunicado, “durante as últimas cinco semanas o número de casos de Cólera subiu dramaticamente acima de 4.500, e mais de 120 pessoas perderam as suas vidas”.

Centros Provisórios de Tratamento
Neste momento, a preocupação dos Médicos Sem Fronteiras é conter a doença. Para isso criaram três centros de tratamento de Cólera (CTC) em Matero, Chawama e Kanyama. O número de casos é, de facto, alarmante. Em colaboração com o Ministério da Saúde da Zâmbia, os Médicos Sem Fronteiras trataram já 4.020 doentes desde o dia 4 de Março.
Nestes centros montaram um número elevado de tendas provisórias para facilitar o internamento e tratamento dos casos que chegam diariamente. “Na semana passada”, diz o mesmo comunicado, “assistimos ao ponto mais alto deste surto com mais de 1.054 internamentos”. Por isso, há agora alguma esperança de que o número de casos comece a diminuir.
Na semana passada fui visitar um desses CTC em Matero, uma vez que é o centro que serve a zona de Lilanda onde me encontro. Uma das responsáveis pelo CTC de Matero disse-me que não estão autorizados a falar nem a deixar ninguém visitar o centro. Depois de conversarmos um pouco, deixou-me fotografar as tendas. Certamente nos dá uma ideia das dimensões da situação e do secretismo que se criou à sua volta.

Necessidade de Água Potável e Instalações Sanitárias
A propagação da Cólera tem a ver com a qualidade da água e dos esgotos. Por isso, os Médicos Sem Fronteiras estão a fazer um grande esforço para fazer chegar água potável às populações das áreas mais pobres da cidade.
Quando falamos de Cólera na Zâmbia, não falamos nada de novo, pois ela é endémica. A situação repete-se ano após ano durante a estação da chuva. Aqui em Lilanda, o número de casos tem sido muito reduzido devido a um projecto de abastecimento de água que o Governo do Japão desenvolveu nesta área em parceria com o Governo da Zâmbia; este projecto proporciona água potável a toda esta área da cidade, abrangendo uma população de mais de 100 mil pessoas.
As zonas mais afectadas pela Cólera (e por outras doenças como a Sida, Tuberculose, etc.) são as zonas pobres da cidade; estas zonas são normalmente abandonadas pelos políticos que só aparecem em tempo de eleições. Talvez um dia o Governo se dê conta que estes são também cidadãos da Zâmbia.

segunda-feira, março 29, 2010

Ele está vivo!

Os eventos daquela madrugada do Primeiro Dia da semana mudaram tudo! A partir de agora nada seria como dantes! O sepulcro ficara vazio. Foi como que uma explosão cujo clarão continua a iluminar as vidas dos que acreditam e cujo calor incendeia os corações dos amigos de Jesus.
A desilusão e o desânimo dão lugar à esperança; o medo dá lugar ao entusiasmo e à coragem; a tristeza dá lugar à alegria; o ódio dá lugar ao perdão; a dúvida dá lugar à certeza; a morte na cruz dá lugar à vida da ressurreição! E os que se tinham escondido, aterrorizados pelos acontecimentos daquela Sexta-feira em Jerusalém, vêm agora para as ruas movidos por uma força que não é sua, mas que os impele e move em todas as direcções!
Continuamos hoje a viver os mesmos acontecimentos na fé! O fogo que ardia nos corações dos amigos de Jesus, continua a arder no meu coração! Talvez não tenha a mesma fé dos que testemunharam tudo desde o início, e às vezes o medo e a dúvida estejam presentes! Mas a alegria desta vida nova que está também em mim, deve irradiar uma esperança que só o Senhor ressuscitado pode dar.
Também eu, como as mulheres que encontraram o Senhor ressuscitado, sou convidado a ir contar aos meus irmãos que Ele está vivo e me precede nos caminhos de Lilanda (a minha Galileia!). Sim, Ele precede-me onde quer que eu vá! E eu sei que Ele está vivo!
Sim, Ele está vivo! Há muitos irmãos que continuam a ser crucificados e para quem a morte parece ter a última palavra! Mas Ele anda por aí! A sua força continua a animar muitos dos seus amigos! Por isso continuamos a acreditar na sua Boa Nova!
Vamos! Contemos aos seus irmãos! Ele está vivo!
Boa Páscoa!

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