Rupiah Banda, presidente da Zâmbia, foi surpreendido quarta-feira, dia 24 de Junho, por um macaco descontente enquanto dava uma conferência de imprensa sobre o estado da economia da nação. O que lhe valeu foi ter bom sentido de humor! Enquanto falava, um macaco atrevido decidiu subir à árvore sob a qual o líder zambiano estava a dar a dita conferência de imprensa e, literalmente lhe urinou em cima.
É mesmo caso para dizer que a política está sempre cheia de surpresas. Até parecia uma conspiração da oposição!
A conferência de imprensa foi dada nos jardins da residência oficial do presidente onde, para além dos atrevidos macacos, vivem outros tipos de animais como antílopes e vários tipos de aves. Certamente esta acção do insigne macaco foi um grande sinal de que a liberdade de expressão chegou à residência do presidente. E Rupiah Banda nem sequer se zangou! Talvez fosse mesmo uma bênção!
O que falta saber é se o macaco quis somente pregar uma partida, ou se foi mesmo uma expressão de descontentamento pela crise económica que atravessa o país.
Zikomo é uma palavra que exprime gratidão. Quer dizer 'Obrigado' 'Com licença' assim como exprime um pedido de atenção. Os povos da Zâmbia têm um grande sentido de gratidão; por isso Zikomo está sempre nos lábios. Viver no meio desta gente é um grande dom que me foi concedido. Por isso também eu digo "Zikomo kwambiri!" (Muito obrigado!).
quinta-feira, junho 25, 2009
quarta-feira, junho 17, 2009
Missionário Comboniano Condecorado
O missionário comboniano português P. Alfredo Ribeiro Neres foi condecorado pelo Presidente da República, Prof. Cavaco Silva, pela ocasião do dia 10 de Junho, Dia de Portugal e das Comunidades Portuguesas. O P. Alfredo Neres tem desenvolvido a sua actividade missionária no Congo, ao serviço dos mais pobres e abandonados. 
A cerimónia da sua condecoração, teve lugar em Kinshasa, na Embaixada de Portugal com uma pequena celebração. Presentes estiveram o Núncio apostólico Mons. Giovanni Daniello, o Sr. Embaixador de Portugal no Congo Dr. João Perestrello e o Sr. Secretário de Estado da Justiça, Dr. João Tiago da Silveira. Estiveram também presentes a Sra. Secretária da Embaixada D. Fernanda Ramalheira e alguns missionários combonianos.
Ao Sr. Secretário de Estado da Justiça, o P. Alfredo pediu que levasse uma mensagem de agradecimento ao senhor Presidente da República; ao mesmo tempo pediu-lhe para comunicar ao Sr. Presidente um desejo seu, nomeadamente que a sua condecoração fosse “um símbolo do reconhecimento do Estado Português pelo trabalho que todos os missionários Portugueses estão a realizar no mundo”.
Para nós, combonianos mais jovens, que o tivemos como Mestre no Noviciado, o P. Alfedo tem sido sempre uma fonte de inspiração; esta condecoração é mais um estímulo para nós que, com ele, aprendemos muito a ser missionários.
Nota: na foto, o P. Alfredo com o Sr. Secretário de Estado da Justiça, Dr. João Tiago da Silveira.
A cerimónia da sua condecoração, teve lugar em Kinshasa, na Embaixada de Portugal com uma pequena celebração. Presentes estiveram o Núncio apostólico Mons. Giovanni Daniello, o Sr. Embaixador de Portugal no Congo Dr. João Perestrello e o Sr. Secretário de Estado da Justiça, Dr. João Tiago da Silveira. Estiveram também presentes a Sra. Secretária da Embaixada D. Fernanda Ramalheira e alguns missionários combonianos.
Ao Sr. Secretário de Estado da Justiça, o P. Alfredo pediu que levasse uma mensagem de agradecimento ao senhor Presidente da República; ao mesmo tempo pediu-lhe para comunicar ao Sr. Presidente um desejo seu, nomeadamente que a sua condecoração fosse “um símbolo do reconhecimento do Estado Português pelo trabalho que todos os missionários Portugueses estão a realizar no mundo”.
Para nós, combonianos mais jovens, que o tivemos como Mestre no Noviciado, o P. Alfedo tem sido sempre uma fonte de inspiração; esta condecoração é mais um estímulo para nós que, com ele, aprendemos muito a ser missionários.
Nota: na foto, o P. Alfredo com o Sr. Secretário de Estado da Justiça, Dr. João Tiago da Silveira.
segunda-feira, maio 18, 2009
Deus está onde o pobre vive
A aldeia de Nabaguu, na missão de Nzara no Sul do Sudão, fica a 50 quilómetros da missão, no coração da floresta. A viagem até lá é longa e cansativa. Depois de alguns quilómetros no caminho principal, iniciámos a nossa entrada na floresta por um carreiro estreito e que parecia não ter fim. O calor era muito intenso e a humidade via-se no ar. Depois de várias horas a pedalar por entre árvores enormes e de folhagem exuberante e verde, chegámos.
À nossa chegada encontrámos uma pequena comunidade de cristãos que nos acolheram com uma alegria e entusiasmo que me emocionaram. Sentia-me exausto da longa viagem. Mas a alegria destes cristãos, que já não viam o padre havia três anos, fez-me superar a fadiga e imediatamente os segui até ao lugar que tinham nos preparado para descansar. A alegria que aqueles cristãos simples e pobres expressavam por terem a oportunidade de celebrar a Euca
ristia (a primeira vez em três anos!) era, para mim, estímulo e fonte de inspiração.
Apesar de viverem tão longe da missão, e de terem a visita to missionário tão raramente, estes cristãos continuavam a reunir-se todos os domingos para rezar e partilhar a Palavra de Deus, ajudados pelo seu catequista, Lino Mingerevuru; sinal de que o Espírito do Senhor estava aí onde eles vivem e partilham a sua fé. Aparentemente, estes cristãos vivem “perdidos” na floresta, longe de tudo e de todos; mas no meio deles encontrei sinais maravilhosos da presença do Espírito do Senhor que, ontem como hoje, continua a revelar-se nos simples e nos humildes desta terra. Com Jesus, regozijei-me no Espírito e vi com os meus próprios olhos sinais (muitos sinais!), de como Deus se revela nos pobres.
Enquanto preparávamos o programa para o dia seguinte, apresentaram-me Geanmarie Kerekpiogbe (o significado do sobrenome é: “muito-má-morte”) que pedia para ser baptizado. Carregava sempre tudo o que possuía: uma pequena panela, um cobertor e a bengala que o ajudava a caminhar na sua velhice. “Não posso deixar as minhas coisas em casa” disse com resignação. “É que na volta posso não encontrar nada!”, acrescentou.
O encontro com este ancião abriu-me os olhos para a realidade dos pobres e humildes na sua relação com Deus. Enquanto a minha preocupação era se ele sabia o catecismo, ou se sabia rezar, ele surpreendeu-me com estas palavras, que só podem brotar do coração de alguém a quem o Senhor se revela pessoalmente: “Barani, rogo gi sende re mi adu ni boro rungo; mi naida ka zio batisimo ka bata be rungo ariyo.” (Padre, fui um pobre nesta terra; quero ser baptizado para me salvar da pobreza no Céu).
Fiquei sem palavras. A fé deste ancião ajudou-me a perceber que Deus não se preocupa se sabemos ou não as leis, ou se sabemos ou não dizer umas orações. Ajudou-me também a encontrar Deus no encontro com o pobre; aí, onde o pobre vive, Deus vive também. O encontro com o velho Geanmarie, como tantos outros encontros que vou tendo todos os dias, ajudou-me a perceber que Deus se revela nos pobres e humildes, que por sua vez nos revelam ‘coisas’ que ‘os sábios e os inteligentes’ tem dificuldade em entender.
À nossa chegada encontrámos uma pequena comunidade de cristãos que nos acolheram com uma alegria e entusiasmo que me emocionaram. Sentia-me exausto da longa viagem. Mas a alegria destes cristãos, que já não viam o padre havia três anos, fez-me superar a fadiga e imediatamente os segui até ao lugar que tinham nos preparado para descansar. A alegria que aqueles cristãos simples e pobres expressavam por terem a oportunidade de celebrar a Euca
Apesar de viverem tão longe da missão, e de terem a visita to missionário tão raramente, estes cristãos continuavam a reunir-se todos os domingos para rezar e partilhar a Palavra de Deus, ajudados pelo seu catequista, Lino Mingerevuru; sinal de que o Espírito do Senhor estava aí onde eles vivem e partilham a sua fé. Aparentemente, estes cristãos vivem “perdidos” na floresta, longe de tudo e de todos; mas no meio deles encontrei sinais maravilhosos da presença do Espírito do Senhor que, ontem como hoje, continua a revelar-se nos simples e nos humildes desta terra. Com Jesus, regozijei-me no Espírito e vi com os meus próprios olhos sinais (muitos sinais!), de como Deus se revela nos pobres.
Enquanto preparávamos o programa para o dia seguinte, apresentaram-me Geanmarie Kerekpiogbe (o significado do sobrenome é: “muito-má-morte”) que pedia para ser baptizado. Carregava sempre tudo o que possuía: uma pequena panela, um cobertor e a bengala que o ajudava a caminhar na sua velhice. “Não posso deixar as minhas coisas em casa” disse com resignação. “É que na volta posso não encontrar nada!”, acrescentou.
O encontro com este ancião abriu-me os olhos para a realidade dos pobres e humildes na sua relação com Deus. Enquanto a minha preocupação era se ele sabia o catecismo, ou se sabia rezar, ele surpreendeu-me com estas palavras, que só podem brotar do coração de alguém a quem o Senhor se revela pessoalmente: “Barani, rogo gi sende re mi adu ni boro rungo; mi naida ka zio batisimo ka bata be rungo ariyo.” (Padre, fui um pobre nesta terra; quero ser baptizado para me salvar da pobreza no Céu).
Fiquei sem palavras. A fé deste ancião ajudou-me a perceber que Deus não se preocupa se sabemos ou não as leis, ou se sabemos ou não dizer umas orações. Ajudou-me também a encontrar Deus no encontro com o pobre; aí, onde o pobre vive, Deus vive também. O encontro com o velho Geanmarie, como tantos outros encontros que vou tendo todos os dias, ajudou-me a perceber que Deus se revela nos pobres e humildes, que por sua vez nos revelam ‘coisas’ que ‘os sábios e os inteligentes’ tem dificuldade em entender.
quinta-feira, maio 14, 2009
A Cadeira da diferença
Deitado na cama, no seu quarto pequeno e com pouca luz, Victor Kambanje esperava-nos com ansiedade. Entrámos, um a um, e cumprimentámo-lo, ao que ele respondeu com um sorriso. Passa o seu tempo naquele quartito, contando as horas e os dias, sonhando com a possibilidade de um dia voltar a ver o sol!
Começou a ficar limitado ao espaço do seu quarto quando uma doença degenerativa lhe atrofiou os músculos e os nervos, deixando-o paralisado. Tudo começou aos três anos de idade. Durante muitos anos foi capaz de ir à escola e até encontrou um emprego. Mas a doença foi progredindo. Agora, aos 32 anos de idade, não se mexe.
Vive com os pais, velhinhos, que procuram cuidar dele o melhor que podem, mas também eles com muitas limitações por causa da idade e da situação de pobreza em que vivem. Por isso, sair de casa, para o Victor, continua a ser um sonho. Mas continua a sonhar! ‘Se pelo menos tivesse uma cadeira de rodas!’, dizia ele com as lágrimas nos olhos.
Em casa do Victor não se fala de crise financeira mundial! Não se fala de Companhias Multinacionais que vão à falência nem dos milhões de dólares que os governos investem para as salvar da banca rota! Não se fala dos grandes bancos que provocaram esta crise por causa da ganância e da incompetência dos que os dirigem! O Victor, só quer uma cadeira de rodas! Sim, porque aqui, a crise já chegou há muitos anos! Aquela de que se fala agora só veio agravar a situação dos pobres como o Victor, que vivem abaixo do limiar da pobreza.
Voltando à cadeira de rodas! A vida do Victor mudou no dia em que lhe levámos uma velha cadeira de rodas que tínhamos na paróquia, que já tinha sido utilizada por outros doentes pobres; eu nem sabia da existência dessa cadeira! Ao vê-la, o Victor deixou escapar mais umas lágrimas dos olhos; desta vez, de alegria. Os seus olhos irradiavam luz. O Victor mostrava agora uma alegria enorme! Não foi um Mercedes que recebeu, nem sequer uma bicicleta de montanha! Foi muito mais do que isso. Agora tem a possibilidade de ver o sol, pois os seus pais sempre serão capazes de o ‘empurrar’ para fora. Já não tem que ficar no seu quarto pequeno e com pouca luz todos os dias. Vê as pessoas passar na rua, pode cumprimentá-las, conversar um pouco. E mais… agora pode ver o sol. De repente, o seu sonho tornou-se realidade. A velha cadeira de rodas, esquecida nas arrumações da paróquia, veio dar nova vida à vida do Victor. Há pequenas coisas que podem fazer a diferença. A velha cadeira de rodas da paróquia fez a diferença!
Começou a ficar limitado ao espaço do seu quarto quando uma doença degenerativa lhe atrofiou os músculos e os nervos, deixando-o paralisado. Tudo começou aos três anos de idade. Durante muitos anos foi capaz de ir à escola e até encontrou um emprego. Mas a doença foi progredindo. Agora, aos 32 anos de idade, não se mexe.
Vive com os pais, velhinhos, que procuram cuidar dele o melhor que podem, mas também eles com muitas limitações por causa da idade e da situação de pobreza em que vivem. Por isso, sair de casa, para o Victor, continua a ser um sonho. Mas continua a sonhar! ‘Se pelo menos tivesse uma cadeira de rodas!’, dizia ele com as lágrimas nos olhos.
Em casa do Victor não se fala de crise financeira mundial! Não se fala de Companhias Multinacionais que vão à falência nem dos milhões de dólares que os governos investem para as salvar da banca rota! Não se fala dos grandes bancos que provocaram esta crise por causa da ganância e da incompetência dos que os dirigem! O Victor, só quer uma cadeira de rodas! Sim, porque aqui, a crise já chegou há muitos anos! Aquela de que se fala agora só veio agravar a situação dos pobres como o Victor, que vivem abaixo do limiar da pobreza.
Voltando à cadeira de rodas! A vida do Victor mudou no dia em que lhe levámos uma velha cadeira de rodas que tínhamos na paróquia, que já tinha sido utilizada por outros doentes pobres; eu nem sabia da existência dessa cadeira! Ao vê-la, o Victor deixou escapar mais umas lágrimas dos olhos; desta vez, de alegria. Os seus olhos irradiavam luz. domingo, maio 03, 2009
Preciso de ti
Hoje vi uma criança
Que, olhando para mim,
Parecia pedir-me algo
Que eu não podia dar!
Olhei-a nos seus olhos suplicantes,
E baixei-me para lhe tocar.
Chorei porque não tinha nada.
E ela,
Com seu olhar penetrante
Parecia dizer-me: Obrigado!
Porquê, Senhor? Perguntei-me.
Que mal fez esta criança
Para que carregue sobre si
O peso da guerra
Que os adultos fazem e não ela?
Por momentos perguntei-me:
“Onde estás Senhor?”
E eu, que posso fazer?
De repente senti
Que aí,
Na pessoa da criança,
Tu me falavas Senhor.
Olhando-a de novo
Ao despedir-me,
Parecia dizer-me:
“Não vás,
Que eu preciso de ti.”
Foi então,
Que eu senti
Que me chamavas de novo,
Senhor.
Horácio
Que, olhando para mim,
Parecia pedir-me algo
Que eu não podia dar!
Olhei-a nos seus olhos suplicantes,
E baixei-me para lhe tocar.
Chorei porque não tinha nada.
E ela,
Com seu olhar penetrante
Parecia dizer-me: Obrigado!
Porquê, Senhor? Perguntei-me.
Que mal fez esta criança
Para que carregue sobre si
O peso da guerra
Que os adultos fazem e não ela?
Por momentos perguntei-me:
“Onde estás Senhor?”
E eu, que posso fazer?
De repente senti
Que aí,
Na pessoa da criança,
Tu me falavas Senhor.
Olhando-a de novo
Ao despedir-me,
Parecia dizer-me:
“Não vás,
Que eu preciso de ti.”
Foi então,
Que eu senti
Que me chamavas de novo,
Senhor.
Horácio
terça-feira, março 10, 2009
Vinde e vede!
Na aldeia todos me chamam Joana. E toda a gente fala de mim, ultimamente. Falam com razão, porque ultimamente tenho feito um monte de disparates na minha vida.
Às vezes dou comigo a matutar; eu sei que há tanta gente que faz muito mais disparates do que eu; e muito maiores. Mas entre o meu povo, é suficiente nascer mulher para deixar de se ter direitos. Nós não contamos para nada. É isso mesmo! Não contamos mesmo para nada! É preciso ter mesmo pouca sorte para se nascer mulher!
Mas hoje estou muito feliz. Há dias tinha ido a casa do carpinteiro cá da aldeia – Jesus, creio que o conhecem – para me vir arranjar a porta da minha casita que estava completamente estragada. Jesus veio concertá-la esta manhã.
Com ele vieram também dois jovens que o acompanhavam. Ao princípio pensei que fossem seus trabalhadores. Mas não trabalhavam. Não faziam outra coisa que olhar para Jesus enquanto trabalhava. Para Jesus e para mim!
De facto, dava gosto olhar para Jesus e vê-lo trabalhar. O modo como ele tratava a madeira, o carinho com que martelava os pregos (é que também se podem martelar pregos com carinho, sabiam?). Eu nunca tinha visto ninguém trabalhar assim. Jesus trabalhava como se estivesse a relacionar-se com a madeira e com as ferramentas. Estávamos todos pasmados!
Um dos jovens que tinha vindo com Jesus olhou à sua volta por toda a minha casa como se estivesse à procura de alguma coisa, e veio poisar o seu olhar sobre mim. Fiquei corada. Pensei que ele tivesse sido atraído pela minha maneira de vestir provocadora, e estivesse a olhar-me com segundas intenções! Eu sempre penso isso de todos os homens que me olham! Mas o seu olhar era diferente.
De Jesus eu já tinha ouvido falar muito durante o período que ele esteve ausente da aldeia. Diziam que ele tinha ido estudar as Escritura e que se tinha tornado num homem muito estranho. Mas ao ver este jovem olhar para mim desta maneira, como quem estava grandemente preocupado comigo, comecei a pensar que talvez ele fosse um dos seguidores de Jesus, e que já tinha aprendido muito com ele.
Imaginem só! Eu que estava tão habituada a ser olhada com malícia pelos homens da aldeia! Sentia agora que havia outra maneira de ser olhada, sem interesse e sem malícia. Senti-me tão diferente! Senti uma coisa cá dentro, que parecia um fogo abrasador. Era tudo tão estranho, mas tão bom!
Um dos jovens disse-me ao ouvido, que eles tinham vindo ver Jesus porque tinham ouvido falar dele. Mas que agora estavam pasmados com o que tinham testemunhado neste primeiro dia com ele. Encontraram-no ontem e quiseram ver onde ele morava. Disse-me também que Jesus lhe dissera que se o quisessem conhecer teriam que ir e ver mais de perto como é que ele vivia. Continuamos, por alguns momentos a olhar-nos mutuamente. O outro jovem seguia cada movimento de Jesus.
Enquanto trabalhava, Jesus ia falando assim meio sozinho, “Felizes os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus”. Eu não entendia muito bem o que ele dizia. Neste momento estava eu a dar voltas à minha cabeça para encontrar maneira de pagar pelo serviço.
Tentei dizer alguma coisa, mas Jesus interrompeu-me com um sorriso acolhedor que me penetrou o coração e me deixou completamente sem palavras.
“Agora tens uma porta nova, Joana”, disse Jesus. Eu sabia que não encontraria nada com que pudesse pagar a porta nova da minha casa, e Jesus entendeu isso. “Não te preocupes, Joana”, disse Jesus, “eu trabalho gratuitamente”.
Eu não cabia em mim de contente. Agora, a minha casa tinha uma porta nova, que era sinal da passagem por ali de alguém diferente, que tinha deixado marcas no meu coração e me tinha feito sentir profundamente acolhida.
E, mais importante do que tudo o resto, em minha casa vivia agora uma mulher diferente.
Às vezes dou comigo a matutar; eu sei que há tanta gente que faz muito mais disparates do que eu; e muito maiores. Mas entre o meu povo, é suficiente nascer mulher para deixar de se ter direitos. Nós não contamos para nada. É isso mesmo! Não contamos mesmo para nada! É preciso ter mesmo pouca sorte para se nascer mulher!
Mas hoje estou muito feliz. Há dias tinha ido a casa do carpinteiro cá da aldeia – Jesus, creio que o conhecem – para me vir arranjar a porta da minha casita que estava completamente estragada. Jesus veio concertá-la esta manhã.
Com ele vieram também dois jovens que o acompanhavam. Ao princípio pensei que fossem seus trabalhadores. Mas não trabalhavam. Não faziam outra coisa que olhar para Jesus enquanto trabalhava. Para Jesus e para mim!
De facto, dava gosto olhar para Jesus e vê-lo trabalhar. O modo como ele tratava a madeira, o carinho com que martelava os pregos (é que também se podem martelar pregos com carinho, sabiam?). Eu nunca tinha visto ninguém trabalhar assim. Jesus trabalhava como se estivesse a relacionar-se com a madeira e com as ferramentas. Estávamos todos pasmados!
Um dos jovens que tinha vindo com Jesus olhou à sua volta por toda a minha casa como se estivesse à procura de alguma coisa, e veio poisar o seu olhar sobre mim. Fiquei corada. Pensei que ele tivesse sido atraído pela minha maneira de vestir provocadora, e estivesse a olhar-me com segundas intenções! Eu sempre penso isso de todos os homens que me olham! Mas o seu olhar era diferente.
De Jesus eu já tinha ouvido falar muito durante o período que ele esteve ausente da aldeia. Diziam que ele tinha ido estudar as Escritura e que se tinha tornado num homem muito estranho. Mas ao ver este jovem olhar para mim desta maneira, como quem estava grandemente preocupado comigo, comecei a pensar que talvez ele fosse um dos seguidores de Jesus, e que já tinha aprendido muito com ele.
Imaginem só! Eu que estava tão habituada a ser olhada com malícia pelos homens da aldeia! Sentia agora que havia outra maneira de ser olhada, sem interesse e sem malícia. Senti-me tão diferente! Senti uma coisa cá dentro, que parecia um fogo abrasador. Era tudo tão estranho, mas tão bom!
Um dos jovens disse-me ao ouvido, que eles tinham vindo ver Jesus porque tinham ouvido falar dele. Mas que agora estavam pasmados com o que tinham testemunhado neste primeiro dia com ele. Encontraram-no ontem e quiseram ver onde ele morava. Disse-me também que Jesus lhe dissera que se o quisessem conhecer teriam que ir e ver mais de perto como é que ele vivia. Continuamos, por alguns momentos a olhar-nos mutuamente. O outro jovem seguia cada movimento de Jesus.
Enquanto trabalhava, Jesus ia falando assim meio sozinho, “Felizes os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus”. Eu não entendia muito bem o que ele dizia. Neste momento estava eu a dar voltas à minha cabeça para encontrar maneira de pagar pelo serviço.
Tentei dizer alguma coisa, mas Jesus interrompeu-me com um sorriso acolhedor que me penetrou o coração e me deixou completamente sem palavras.
“Agora tens uma porta nova, Joana”, disse Jesus. Eu sabia que não encontraria nada com que pudesse pagar a porta nova da minha casa, e Jesus entendeu isso. “Não te preocupes, Joana”, disse Jesus, “eu trabalho gratuitamente”.
Eu não cabia em mim de contente. Agora, a minha casa tinha uma porta nova, que era sinal da passagem por ali de alguém diferente, que tinha deixado marcas no meu coração e me tinha feito sentir profundamente acolhida.
E, mais importante do que tudo o resto, em minha casa vivia agora uma mulher diferente.
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